A perda auditiva compromete a capacidade de comunicação, o que dificulta a participação do indivíduo em interações sociais e, consequentemente, afeta suas relações emocionais (Boéchat et al., 2015). Entre os universitários, o uso frequente de fones de ouvido é uma prática comum, impulsionada pela ampla utilização das tecnologias contemporâneas. Ao utilizarem os fones de ouvido, muitos usuários ultrapassam consideravelmente o limite de volume- decibéis, o que representa um fator de risco relevante para a saúde auditiva (Legent et al., 2013). A exposição a níveis elevados de intensidade sonora está associada ao surgimento de sintomas como zumbido e à própria perda auditiva, efeitos que, muitas vezes, são irreversíveis e evitáveis, sendo necessário realizar avaliação audiológica e adoção de hábitos auditivos mais saudáveis (Lacerda et al., 2011). A avaliação audiológica é realizada para diagnosticar a perda auditiva, sendo necessário exames complementares, dependendo de uma suspeita clínica para determinar a causa exata da perda auditiva. A audiometria tonal é essencial para o processo diagnóstico audiológico, sendo considerado o exame padrão-ouro para determinar os limiares auditivos do indivíduo, comparando aos valores de normalidade, utilizando tons puros para a mensuração do limiar. Já a audiometria vocal avalia a habilidade do indivíduo detectar e reconhecer a fala através do Limiar de Detecção de Voz (LDV), o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) e o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF). Outro exame é a imitanciometria, teste específico para avaliar a mobilidade do sistema tímpano-ossicular e a integridade da condução auditiva por meio da timpanometria e que avalia a função da orelha média e a mobilidade da membrana timpânica em respostas a diferentes níveis de pressã, além da avaliação dos reflexos acústicos por meio da estimulação da contração dos músculos da orelha média, principalmente o estapédio, verificando se o músculos da orelha média estão reagindo adequadamente a sons altos. O Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico (PEATE) consiste na captação de potenciais elétricos (ondas) do tronco encefálico e outras estruturas centrais, evocados por um estímulo auditivo, para monitorar a integridade funcional da via auditiva central. As Emissões Otoacústicas (EOA) constituem uma ferramenta objetiva e não invasiva para a triagem da integridade coclear. O procedimento envia um estímulo acústico ao ouvido e registra a energia sonora de retorno gerada ativamente pela motilidade das células ciliadas externas (CCEs). A avaliação do Processamento Auditivo Central (PAC) requer a aplicação de uma bateria de testes cujo objetivo é o rastreio das funções auditivas do Sistema Nervoso Auditivo Central (SNAC). Estes testes utilizam manipulação acústica de estímulos (verbais e não verbais) apresentados em condições monaurais e binaurais, visando inferir a integridade neural subjacente. A bateria mínima padronizada inclui: Testes de Baixa Redundância (como Fala Filtrada ou SSI/MCI), Testes Binaurais (como MLD ou Função Binaural), Testes Dicóticos (como Dicótico de Dígito e GIN) e o Teste de Padrão de Frequência (TPF). Objetivo: Identificar possíveis alterações auditivas em universitários da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde, que utilizam fones de ouvidos, por meio da aplicação dos questionários sobre saúde auditiva (GONÇALVES et al., 2014) e o SSQ (MIRANDA-GONSALEZ; ALMEIDA, 2017) e verificando a auditiva utilizando o aplicativo HearWHO, convidando para a avaliação audiológica completa os participantes que apresentarem indícios de perda auditiva. Metodologia: Inicialmente, aplicar os questionários padronizados e o aplicativo HearWHO para triagem e rastreio de fatores de risco e alterações auditivas. Em seguida, oferece avaliação audiológica completa voluntária (audiometria, imitanciometria, EOA, PEATE e PAC), conforme a necessidade. Os procedimentos são conduzidos por acadêmicos sob supervisão fonoaudiológica, garantindo a confidencialidade e o encaminhamento para serviços especializados em caso de alterações. Resultados esperados: Espera-se realizar triagem auditiva de aproximadamente 500 universitários e identificar possíveis alterações auditivas especialmente entre aqueles que utilizam fones de ouvido com frequência elevada e em alta intensidade. Os casos identificados serão convidados para avaliação audiológica, contribuindo para a detecção precoce de perdas auditivas e para ações futuras de promoção da saúde auditiva na instituição. Considerações finais: O projeto pretende contribuir para a prevenção de perdas auditivas induzidas por hábitos de escuta de forma prejudicial à audição, além de estimular mudanças comportamentais e fomentar estratégias institucionais de educação e promoção da saúde auditiva no ambiente acadêmico.
Discentes da Universidade de Brasília
Participantes da semana universitária 2026_palestra de conscientização sobre cuidados auditivos
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