O projeto "Vida & Água para as ARIS" alcança em 2026 seu sexto ano de execução, consolidando uma transição histórica de amadurecimento metodológico e protagonismo social. Iniciada em abril de 2020, sob provocação da Reitoria da UnB e do COPEI (Edital COVID-19), a iniciativa nasceu com a missão urgente de enfrentar a negligência sanitária e a insegurança hídrica crônica que atinge aproximadamente 200 mil moradores das 56 Áreas de Regularização de Interesse Social (ARIS) do Distrito Federal. O que se iniciou como uma resposta emergencial da academia evoluiu para uma práxis de pesquisa-ação que culminou, em 21 de junho de 2025, no V EnPODERARIS. Neste evento histórico, as lideranças comunitárias dos 10 eixos territoriais optaram pela autonomia e autogestão, fundando o Movimento Vida & Água (MVA). Assim, em 2026, a relação entre a UnB e o território assume um patamar de parceria estratégica e horizontal, onde a universidade apoia a consolidação de um movimento popular orgânico. A espinha dorsal desta proposta é o paradigma metodológico "4 por 4", construído coletivamente ao longo da trajetória do projeto. Este modelo estrutura a pesquisa-ação em 4 agendas fundamentais: Agenda Territorial, centrada na consolidação das "Casas Vida & Água" como polos de resistência e diagnóstico; Agenda Político-Pedagógica, realizada através dos encontros "EnPODERARIS" para o empoderamento técnico e político; Agenda de Articulação e Visibilização, que garante a incidência das pautas das ARIS nos Três Poderes e na mídia (alternativa e corporativa), com destaque para a produção sistemática na TVCOM DF; Agenda de Memória Viva, focada na documentação rigorosa e científica da luta por meio de nossos três produtos de extensão. Tendo o Núcleo de Pesquisas em Habitação do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (NPH/CEAM/UnB) como coexecutor histórico contínuo desde 2022, a proposta fundamenta-se na estruturação de uma "Rede de Redes". Essa malha articula pesquisadores de diversas áreas (Serviço Social, Saúde Coletiva, Arquitetura, Direito, Engenharia, Sociologia), o IFB, sindicatos (Sinpro, Sindágua, Sindsep) e as comunidades. Pela primeira vez, essa articulação concorre ao Edital AgPopSUS (Ministério da Saúde/AgSUS), visando a formação de Agentes Populares de Saúde para atuar na Vigilância Popular contra o risco sindêmico. A execução em 2026 será materializada pelos referidos produtos no BibliodEx: O Atlas Participativo das ARIS, que utiliza geoprocessamento social para dar visibilidade às carências de saneamento; O Livro do MVA 2020-2026, organizado via Polo REPE Recanto das Emas, sistematizando a memória viva e os resultados científicos; A Série Audiovisual na TVCOM DF, com mais de 70 programas produzidos. O projeto justifica-se pela persistente violação do direito humano à água, incidindo tecnicamente na revisão do PDOT e na Frente Parlamentar em Defesa das ARIS. A avaliação é processual e dialógica, baseada na sistemática de "todos sobre todos", onde a autocrítica garante a eficácia da pesquisa-ação. O coroamento destes cinco anos reside no poder do empoderamento acumulado: do lado da comunidade, destaca-se o crescimento e o protagonismo das mulheres negras, que assumiram a vanguarda da luta por direitos na periferia da periferia do DF; do lado da UnB, o exercício da autonomia crítica dos estudantes gerou diversas monografias de TCC baseadas na vivência extensionista. Historicamente, esta práxis extensionista resgata a vocação emancipatória da UnB, rompendo com o seu isolamento diante da questão socioambiental. Trata-se de uma trajetória crítica que dialoga com o ideário de Uma Ideia de Universidade (org. Cristovam Buarque), ecoando a denúncia visceral de Vladimir Carvalho no cinema em Conterrâneos Velhos de Guerra e a provocação audiovisual do CPCE em Invasores ou Excluídos?. Essa herança de engajamento deságua na coletânea Universidade e Movimentos Sociais (org. Erlando Rêses), onde se destacam as fundamentais contribuições de Maria Luiza Pinho Pereira e Madalena Tôrres. Finalmente, esta proposta consubstancia a reflexão seminal do Prof. Perci Coelho de Souza: "UnB em rede com Movimentos Sociais Urbanos? Um jubileu de lutas da 'univercidade' na crítica ao padrão de segregação socioespacial no DF". O projeto consagra, assim, a "univercidade" não como uma ilha de excelência apartada, mas como um elo vivo, pulsante e indissociável da defesa da justiça socioambiental nas ARIS.
Professores, estudantantes de graduação e pós e técnicos-administrativos
Comunidades das 56 ARIS do DF, Organizações da Sociedade Civil e Instituições parceiras
Fotos e Ilustrações Históricas do Projeto Vida & Água da UnB (2020-2025)
Boletim númeo 1 de Set 2023 do Projeto Vida & Água para ARIS
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