Ao estudar o feminismo negro, em especial a carreira de Lélia Gonzalez, para melhor compreender o papel das feministas negras brasileiras como inspiração para jornalistas negras brasileiras, chegamos duas constatações: o conceito de vigilância comemorativa, de Pierre Nora, e a compreensão deque o gênero narrativo carta ganha formatos diferenciados no feminismo negro (por meio de cartas públicas, cartas que se transformam em crônicas e ficção, cartas para as gerações antecessoras, cartas para as gerações futuras). Com esses dois achados vigilância comemorativa como uma prática no feminismo negro e o gênero carta como um texto muito presente também no feminismo negro, chega-nos o convite da Universidade de Brasília (UnB). No ano de 2021, às vésperas da Universidade de Brasília (UnB) completar a efeméride dos 60 anos de fundação, a UnB abriu editais de convite para projetos inovadores celebrarem os 60 anos da Universidade. A partir da Faculdade de Comunicação (FAC) da UnB, a autora principal do presente capitulo fundou o projeto Cartas para o Amanhã Vigilância Comemorativa, Lélia Gonzalez e os Próximos 60 Anos da UnB< https://cartasparaoamanha.wixsite.com/website/cartas-enviadas>. A essência do projeto é promover a escritura de cartas para as futuras jovens negras, indígenas, quilombolas e africanas que vierem a ser estudantes da UnB nos próximos 60 anos da UnB, a contar a partir de 2023. A autora coordenadora da proposta tem trabalhado com diversos grupos de estudantes em torno do projeto, alguns em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), em disciplinas, oficinas de produção de cartas e também na produção de podcasts. O Projeto já colheu também resultados que contaram com o protagonismo de estudantes da disciplina Projeto de Vida, prevista pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Novo Ensino Médio que responderam a algumas das Cartas do Cartas para o Amanhã. A atividade de resposta às Cartas do Cartas para o Amanhã foi desenvolvida pelos estudantes do Centro de Ensino Médio 804 do Recanto das Emas, Distrito Federal (DF) e está disponível em: https://alvesbsk.wixsite.com/sociologia-e-projeto.Os resultados da pesquisa demonstram que a Carta é um gênero narrativo que sobrevive à era das mídias digitais e que a mesma pode ser um recurso pedagógico, promover diálogo geracional e apontar construção de horizontes de futuro comuns para jovens do Ensino Médio, Universitários e também para outras faixas etárias. As cartas sobrevivem enquanto narrativa.
Estudantes de graduação da FAC e da UnB, estudantes de Ensino Médio do DF e de outros Estados, em especial no Bioma Cerrado
Estudantes de Ensino Médio do DF, da RIDE e de outros Estados. Comunidade do DF e de outros Estados. Movimento Negro, Movimento de Mulheres
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