Universidade de Brasília Brasília, 27 de Outubro de 2026

Visualização da Ação de Extensão


Ação de Extensão
Título: Rodas de Comunicação Não Violenta nas Escolas
Ano: 2026 Nº Bolsas Concedidas: 2 Nº Discentes Envolvidos: 1 Público Estimado: 92
Período de Realização: 01/10/2026 a 31/08/2027
Área Principal: EDUCAÇÃO Área do CNPq: Ciências Biológicas
Unidade Proponente: FACULDADE DE PLANALTINA Unidades Envolvidas:
Tipo: PROJETO
Municípios de Realização: BRASÍLIA - DF
Espaços de Realização: Centro de Ensino Fundamental 04 (CEF04) e Centro de Ensino Médio 02 (CEM02)
Fonte de Financiamento: FINANCIAMENTO INTERNO (Edital Licenciaturas em Movimento - Saberes em Rede 2026-2027 - DEG/DEX nº 01/2026)
Responsável pela Ação: CHRIATIANO DEL CANTONI GATI
E-mail do Responsável: christianogati@unb.br
Contato do Responsável: (61) 99648-6138
Url da Acão: https://sigaa.unb.br/sigaa/link/public/extensao/visualizacaoAcaoExtensao/25833


Resumo

No PISA 2022, o Brasil ficou muito abaixo das médias dos países da OCDE, e os dados revelaram que 27% dos estudantes se sentem sozinhos, 19% se sentem excluídos ou não participam das atividades e 19% não estão satisfeitos com suas vidas. Nas escolas em que o desempenho se manteve alto, o senso de pertencimento era maior, os alunos se sentiam mais seguros e menos expostos ao bullying. Esses números apontam para uma carência que vai além do conteúdo curricular: os estudantes precisam de ferramentas para lidar com as emoções, para se conectar uns com os outros e para se sentirem parte de uma comunidade. Uma possível ação mitigar essa situação é a aplicaçao da Comunicação Não Violenta (CNV) aliada às Práticas Circulares, objetivo deste projeto. A CNV é uma metodologia de comunicação que se organiza em quatro movimentos: observar sem julgar, reconhecer a emoção que surgiu, identificar a necessidade por trás dela e formular um pedido que melhore a qualidade de vida. As Práticas Circulares, por sua vez, trazem o formato da roda de conversa: um espaço em que todos falam a partir de um objeto da palavra, ninguém interrompe, e o diálogo acontece em pé de igualdade, inspirado em tradições indígenas e nos campos da Justiça Restaurativa e da Construção de Paz. Juntas, essas duas abordagens promovem pertencimento, segurança relacional, humanização dos conflitos e responsabilidade coletiva. O contexto local reforça a urgência. Em Sobradinho, apenas 59% dos professores de ciências do ensino fundamental já haviam realizado alguma atividade de educação socioemocional com os alunos, e mesmo isso de forma isolada, não recorrente. A principal razão apontada foi a falta de formação no tema. O curso de Licenciatura em Ciências da Natureza da Faculdade UnB Planaltina (FUP), por sua vez, não prepara seus graduandos para regular as emoções que o ato de lecionar provoca, nem para lidar com as emoções dos estudantes em sala, muito menos para substituir a lógica da punição e da recompensa por uma comunicação baseada na compaixão. O projeto ataca esse problema por dois flancos: forma os futuros professores enquanto ainda estão na graduação e, simultaneamente, capacita os professores e estudantes já em exercício nas escolas. O projeto não nasce do zero. Ele é a continuidade de duas edições anteriores. A primeira, aprovada no edital FUP 003/2024, levou capacitação em CNV a três escolas de ensino fundamental (CEF 04, 07 e 08). Os resultados foram mistos: os professores reconheceram a importância da metodologia, mas 87% nunca haviam recebido formação em CNV na graduação, e ao final apenas 12% se sentiam preparados para aplicá-la em aula. Com os estudantes, trabalhou-se apenas um dos passos da CNV (a nomeação dos sentimentos), e mesmo isso com uma única turma por escola. A segunda edição, aprovada no edital FUP 003/2025, trouxe um aprendizado importante: era preciso concentrar os esforços em menos escolas para aprofundar o trabalho e modificar os temas e dinâmicas das rodas para que os cinco componentes da CNV (observação sem julgamento, nomeação de sentimentos, identificação de necessidades, realização de pedidos e escuta empática) fossem transmitidos de forma mais eficaz. Daí a decisão de focar no Centro de Ensino Fundamental 04 (CEF04) e no Centro de Ensino Médio 02 (CEM02), ambos em Sobradinho I. A metodologia consiste em 24 encontros: seis rodas para docentes e seis para estudantes em cada uma das duas escolas. Os participantes são as lideranças escolares: professores, coordenadores pedagógicos, estudantes, representantes de grêmios e coletivos juvenis. Cada roda reúne doze pessoas, exclusivamente estudantes ou exclusivamente professores, e dura até 160 minutos, organizados em cinco blocos. A abertura dura cinco minutos e consiste na leitura de um poema vinculado ao tema da roda. O check-in ocupa 25 minutos, durante os quais cada participante, passando a palavra por meio de um objeto físico como uma girafa de pelúcia, diz seu nome e sua expectativa em relação ao tema. O exercício prático central ocupa 60 minutos, extensíveis a 100 para completar o tempo total, e é o coração de cada encontro. O check-out, com 25 minutos, dá a cada pessoa a oportunidade de compartilhar o que aprendeu ou o que ficou com ela. O encerramento, de cinco minutos, é feito com a escuta de uma música relacionada ao tema. A confidencialidade é combinada no início de cada encontro, o facilitador não opina, não corrige e não resolve, apenas guarda o tempo, faz perguntas abertas e protege o espaço, e qualquer participante pode dizer "passo" a qualquer momento, sem necessidade de justificar. As seis rodas seguem um percurso progressivo que percorre, em ordem, os cinco componentes da CNV mais a atitude de entrega que os sustenta. A primeira roda, "Entregar-se de coração", abre o ciclo com a prática de dar apreciação sincera e de reconhecer nos próprios gestos de cuidado a existência do outro. O exercício central, "Cartas de entrega", pede que cada participante escreva uma carta de apreciação para alguém presente e uma carta para si mesmo, reconhecendo um momento em que se entregou de verdade. A segunda roda, "Observar sem avaliar", trabalha o primeiro componente da CNV: a separação entre o fato (o que uma câmera gravaria) e o julgamento (o rótulo, a interpretação). O exercício, "Câmera vs. Narrador", parte de doze situações do cotidiano escolar que os participantes classificam e reescrevem, e de cenas narradas pelo facilitador que a roda decifra em coro. A terceira roda, "Identificação e expressão de sentimentos", aprofunda-se no segundo componente: nomear o que se sente e a necessidade por trás dele. No exercício "Roda dos sentimentos", cada pessoa trabalha com cartões de sentimentos variados, formula a frase "hoje eu me senti ___ porque eu precisava de ___" e compartilha, em trios e na roda completa, com a escuta silenciosa dos demais. A quarta roda, "Responsabilizar-se pelos sentimentos", introduz a ideia de que ninguém causa nossos sentimentos: o outro é gatilho, mas o que acontece dentro é escolha própria. O exercício "De 'você me faz' para 'eu sinto'" parte de doze frases em estilo vitimização que os participantes reescrevem no formato da CNV, transferindo a responsabilidade emocional de volta para si. A quinta roda, "Pedir o que enriquece a vida", trabalha o quarto componente: o pedido concreto, positivo, observável, acompanhado da pergunta "o que você sente sobre essa possibilidade?". No exercício "Pedidos que abrem portas", cada pessoa formula pedidos para situações-problema reais do contexto escolar e encena a conversa em trios, com feedback sobre concretude, positividade e observação. A sexta e última roda, "Receber com empatia", fecha o ciclo com o quinto componente: a escuta empática. O exercício "Cadeira vazia, coração cheio" coloca os participantes em duplas e trios para praticar os quatro passos da escuta (observar, identificar o sentimento, identificar a necessidade, acolher) com histórias leves de dor adequadas ao contexto escolar, sob regras rígidas: sem conselho, sem solução, sem minimizar. Cada roda é autônoma e pode ser aplicada em dias distintos, mas juntas compõem um ciclo completo de comunicação não violenta adaptado à realidade da educação básica. Os objetivos do projeto são múltiplos e se retroalimentam. No plano imediato, busca-se melhorar a comunicação entre discentes e docentes, substituindo a lógica da força (punição, recompensa) por uma comunicação baseada em escuta, empatia e autenticidade. No plano da formação, pretende-se capacitar professores, coordenadores e estudantes nas ferramentas da CNV e das Práticas Circulares, e estimulá-los a promover essas práticas de forma autônoma, sem depender permanentemente do facilitador externo. No plano institucional, o projeto visa constituir um programa de extensão de ação continuada que melhore a qualidade de vida de discentes, docentes e gestores do CEF04 e do CEM02, e que, ao mesmo tempo, divulgue os cursos da FUP, em especial a Licenciatura em Ciências Naturais, fortalecendo o interesse dos estudantes pela faculdade. Os resultados esperados articulam o pessoal com o comunitário. No nível individual, espera-se que os participantes exercitem os conceitos da CNV e das Práticas Circulares não apenas na escola, mas também em casa e em outros contextos sociais, tornando-se agentes de mudança em suas relações, capazes de reconhecer suas necessidades e as dos outros. No nível relacional, o envolvimento conjunto de professores, coordenadores, estudantes e representantes de grêmios deve criar uma rede de apoio que dê sustentabilidade ao projeto nas escolas, fazendo com que a prática das rodas não dependa da presença do facilitador. No nível institucional, espera-se que a FUP ganhe visibilidade e reconhecimento junto à gestão e à coordenação das escolas de Sobradinho, abrindo espaço para parcerias na busca de soluções para os problemas do convívio entre estudantes, entre docentes, entre escola e comunidade, e para os desafios propostos pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e pelo Ministério da Educação. Esse estreitamento de laços com a comunidade de Sobradinho pode impactar diretamente na entrada e na permanência de estudantes nos cursos da FUP, fechando o ciclo que liga a formação do futuro professor à transformação da escola em que ele vai atuar.


Públicos Alvo

Interno:

Estudantes de graduação de Licenciatura em Ciências Naturais


Externo:

Docentes e estudantes da rede pública de educação básica



Membros(as) da Equipe

  TATIANA BARBOSA ROSADO LAVIOLA
Categoria: DOCENTE
Função : COLABORADOR(A)
  DANILO ARRUDA FURTADO
Categoria: DOCENTE
Função : COLABORADOR(A)
  CHRISTIANO DEL CANTONI GATI
Categoria: DOCENTE
Função : COORDENADOR(A)

  SHAIANY RODRIGUES DOS SANTOS
Categoria: DISCENTE
Função : ALUNO(A) BOLSISTA
  KAMILA GEOVANA DA SILVA CRUZ
Categoria: DISCENTE
Função : ALUNO(A) BOLSISTA


Lista de Fotos

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