A Evolução é um dos principais eixos integradores de todas as áreas da Biologia. Segundo Futuyma (2003, p. 16), A evolução, um fato e não uma hipótese, é o conceito central e unificador da Biologia. Ela explica tanto a diversidade da vida, expressa na existência de milhões de espécies diferentes de seres vivos, quanto o compartilhamento de diversas estruturas moleculares e celulares entre esses seres (DOBZHANSKY, 1964). Partindo desse ponto, é primordial que o ensino de Biologia seja pautado na Evolução como caminho que une diferentes áreas, como a Sistemática, a Biologia do Desenvolvimento, a Ecologia e a Biologia Celular, promovendo o aprendizado integrado dessas áreas por parte dos estudantes (COLLI; ANDRADE; BASTOS, 2021). Dentro da temática da Evolução, o estudo da Evolução Humana é uma área de grande interesse acadêmico, com produção científica constante e novas descobertas relacionadas à história evolutiva de nossa espécie. Entretanto, a disciplina Evolução Humana não aparece como componente curricular obrigatório em todos os cursos de Ciências Biológicas no Brasil, estando sua presença vinculada às escolhas de cada instituição. Em muitos casos, o conteúdo é tratado dentro da disciplina obrigatória de Evolução Biológica, enquanto em outros aparece como disciplina optativa (GOEDERT, 2004; UFRGS, 2020; UFES, 2024; UnB, 2024). O quadro na Educação Básica é ainda mais desafiador, uma vez que o tema é frequentemente negligenciado ou abordado de maneira superficial, muitas vezes concentrado no final do ano letivo. Essa abordagem pode estar relacionada a diferentes fatores, como a formação insuficiente dos docentes para tratar do tema, a complexidade de alguns conceitos envolvidos, a possibilidade de conflitos com diferentes concepções de mundo e a falta de materiais didáticos apropriados (OLEQUES; SANTOS; BOER, 2011; COLLI; ANDRADE; BASTOS, 2021). Nesse contexto, estratégias que associem formação docente, materiais didático-pedagógicos e atividades práticas podem contribuir para aproximar o conhecimento científico dos estudantes. A utilização de modelos tridimensionais de estruturas anatômicas e fósseis constitui uma possibilidade de tornar conceitos relacionados à evolução humana mais concretos e visualmente acessíveis, favorecendo a comparação entre diferentes espécies e a compreensão das transformações ocorridas ao longo da história evolutiva dos homininos. A experiência desenvolvida na primeira etapa deste projeto, em 2025, possibilitou a produção e utilização de materiais baseados em réplicas tridimensionais de crânios de diferentes homininos e a realização de atividades de capacitação e divulgação. A presente proposta parte dessa experiência para aprimorar os materiais e ampliar sua utilização por meio de um sistema de empréstimo, de atividades itinerantes e de ações de divulgação científica, buscando fortalecer a articulação entre ensino, extensão e popularização do conhecimento sobre Evolução Humana.
docentes e discentes da área de ciências da vida
professores de biologia em regência
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