Antes de qualquer coisa, é importante destacar que o ensino à distância não se constitui um atalho para a formação do profissional, tampouco significa diminuição da sua qualidade se comparada aos cursos presenciais. Ao contrário, conforme sugerem os Referenciais de Qualidade da SEED/MEC, cresce o compromisso ético tanto dos que buscam esse tipo de formação como daqueles que elaboram e executam a proposta de formação inicial. Além disso, é característica principal da formação à distância a construção do conhecimento pelo professor/aluno, ora à distância, ora em presença física ou virtual. Segundo as diretrizes curriculares nacionais para o Curso de Física, o perfil do egresso em cursos de Licenciatura em Física deve corresponder à seguinte descrição: Físico – Educador: Dedica-se preferencialmente à formação e à disseminação do saber científico em diferentes instâncias sociais, seja através da atuação no ensino escolar formal, seja através de novas formas de educação científica, como vídeos, “software”, ou outros meios de comunicação. Não se ateria ao perfil da atual Licenciatura em Física, que está orientada para o ensino médio formal. O que implica, por sua vez, no desenvolvimento de uma série de competências (C1-C5 na tabela), habilidades (H1-H9 na tabela) e vivências (V1-V8: ver legenda a seguir). Competências e habilidades são articuladas propriamente por vivências. Sendo assim, organizamos esses elementos na forma de uma matriz, indicando quais vivências se pretende colocar em prática para articular cada par habilidade/competência a ser desenvolvido. As vivências desejadas são as seguintes: ● V1: ter realizado experimentos; ● V2: ter tido experiência com equipamento de informática; ● V3: ter realizado pesquisas bibliográficas, identificando e localizando fontes de informação relevantes; ● V4: ter contato com ideias e conceitos fundamentais das Ciências pela da leitura de textos básicos; ● V5: ter tido a oportunidade de sistematizar seus conhecimentos e seus resultados através da elaboração de artigos, comunicações ou monografia; ● V6: ter participado da elaboração e desenvolvimento de atividades de ensino; ● V7: ter feito o planejamento e o desenvolvimento de experiências didáticas em Física, reconhecendo os elementos relevantes às estratégias adequadas; ● V8: ter elaborado ou adaptado materiais didáticos de diferentes naturezas, identificando seus objetivos formativos, de aprendizagem e educacionais. Assim, o esquema de competências, habilidades e vivências forma uma matriz tridimensional em que pontos sobre o eixo das abscissas, definidas pelas habilidades, e pontos sobre o eixo das coordenadas, definidos pelas competências, são vinculados entre si por vivências. Essa estrutura está representada (bidimensionalmente) na Tabela 2. Resta notar que o tema das vivências é particularmente sutil quando se trata de um ensino a distância. É absolutamente prioritário o desenvolvimento de políticas (daí projeto político pedagógico) que permitam a concretização de tais vivências, sem as quais as habilidades e competências permanecem estanques e sem articulação coerente e consistente. Assim, a qualidade dos polos presenciais surge com importância fundamental para que se possam garantir as qualidades subjacentes das vivências e seus efeitos formativos. De fato, essa é uma das razões pelas quais o Instituto de Física optou por aderir à UAB, inicialmente, em um número relativamente pequeno de Polos de Apoio Presenciais.
● Comunicar-se com coerência e coesão por meio de texto escrito. ● Compreender e utilizar os conteúdos curriculares apresentados em linguagem científica. ● Empregar conhecimentos referentes aos conteúdos curriculares para resolver situaçõesproblemas. ● Articular conhecimentos relacionados aos diferentes conteúdos curriculares para analisar fenômenos do mundo natural. ● Planejar o trabalho pedagógico para orientar os processos de ensino-aprendizagem. ● Utilizar estratégias e recursos diversificados para alcançar os objetivos pedagógicos. ● Utilizar procedimentos de acompanhamento e avaliação de forma articulada e coerente com estratégias pedagógicas ● Compreender aspectos culturais, sociais, ambientais, políticos, econômicos e tecnológicos da sociedade e suas interfaces com a educação. ● Atuar em situações do cotidiano escolar com base na legislação vigente. ● Promover ações, no âmbito da comunidade escolar, com vistas à inclusão e ao respeito às diversidades. ● Organizar e gerir o trabalho pedagógico no âmbito da sala de aula, mais especificamente o processo de ensino-aprendizagem, sob sua responsabilidade. ● Conhecer as principais políticas educacionais vigentes que fundamentam e regulam o sistema educacional. ● Conhecer o processo de construção do conhecimento em física, articulando metodologias adequadas ao seu ensino. ● Dominar conhecimentos específicos em física e matemática e suas relações com outras ciências. ● Dominar habilidades básicas no campo da investigação e compreensão de fenômenos físicos. ● Reconhecer e avaliar o desenvolvimento tecnológico contemporâneo.
Não há dúvidas acerca do fato de que a formação à distância deve primar pelos mesmos critérios de qualidade que ditam a formação presencial. Dito isso, há que se considerarem as diferenças específicas que cada um dos contextos faz incidir sobre as respectivas propostas metodológicas. Salta aos olhos, inicialmente, uma característica fundamental do ensino à distância que é, precisamente, aquela buscada pela modalidade presencial, mas raramente conseguida plenamente: a possibilidade do aluno de assumir uma posição de protagonista frente à sua própria formação intelectual e profissional. A modalidade presencial tem esse horizonte como seu ideal igualmente. Entretanto, a presença constante do professor e o contato diuturno com este não raro levam a um tipo de acomodamento que afasta as estratégias necessárias para que se chegue à referida situação de protagonismo. Diferentemente do contexto produzido pela modalidade presencial, aquilo que é um ideal nesta torna-se uma necessidade primordial na modalidade à distância. O protagonismo do aluno é condição de possibilidade para seu desempenho apropriado no curso escolhido. Isso, evidentemente, não impede, mas sim enseja um protagonismo que se faz apoiar pelas mais variadas iniciativas pedagógicas, pelas ações dos tutores presenciais e não presenciais, pelas intervenções dos professores, etc. O professor que assim se forma atingiu a maturidade muito cedo em seu curso e levará essa experiência formativa única para sua profissão, quiçá enfatizando-a também em sua prática docente. O foco da proposta pedagógica que o presente projeto pedagógico de curso tem por função delinear reside justamente no elemento que já se mostrou central no estabelecimento das vinculações entre habilidades e competências: as vivências. Mais ainda, estabelecer de antemão que tais vivências se mostrem coordenadas adequadamente com o perfil desejado do egresso, já de princípio fixado como professor do ensino básico. Um dos fios condutores da presente proposta é a possibilidade de se inserir o professor em um novo contexto mundial de ensino, no qual as abordagens que utilizam ferramentas instrucionais virtuais, digitais, como redes cooperativas para construção compartilhada de conhecimento e investigação, jogos digitais para o desenvolvimento de conceitos e sensibilidades, etc. Assim, grande parte das vivências que formam os amálgamas das habilidades e competências apresenta-se direcionada para esse tipo de atuação, ainda que uma atuação mais generalista esteja resguardada. Isso significa, portanto, que não se irá descurar das necessidades dos elementos formativos associados aos elementos tradicionais de um curso de Licenciatura em Física, mas que se terá sempre em mente o estabelecimento de pontes que permitirão ao aluno estabelecer estratégias de ensino que lancem amplamente mão das novas tecnologias, atualmente tão pouco exploradas em nosso país, formando assim um profissional de alto nível intelectual e capacidade concreta de se inserir em um novo mundo que desponta. Ao estabelecer esse horizonte, o presente projeto de curso vincula os saberes que pretende veicular em suas disciplinas ao fazer concreto do professor em sala de aula, usando, para tanto, entre outros, as novas tecnologias como um viés para que esse fim se concretize. O professor assim formado será capaz de compreender profundamente a realidade de seu ofício, sendo capaz também de nele intervir com novas propostas, metodologias e abordagens enriquecedoras da sua realidade e dos seus futuros alunos.
Do ponto de vista da efetivação da aprendizagem são três os principais atores em um curso ofertado na modalidade à distância: o professor, o tutor e o aluno. Para que a aprendizagem se verifique nos moldes imaginados – aqueles já mencionados quando da descrição das vivências articuladoras das habilidades e competências – é necessário criar uma rede de motivação para todos os agentes e acompanhamento dos processos envolvidos. Faz-se necessário, pois, uma mediação posta em prática pelas instâncias administrativas do curso através dos materiais didáticos, dos recursos tecnológicos disponibilizados, do AVA e das orientações pedagógicas. Essa rede de suporte não serve apenas ao aluno, com mecanismos para tirar dúvidas, por exemplo, mas também ao professor e ao tutor, na medida em que disponibiliza meios para tornar a ação destes agentes mais fluida e adequada.
Compõem o Sistema de Apoio à Aprendizagem: ● Guias de estudo construídos especificamente para essa modalidade de ensino; ● Material didático impresso e digital, atendendo as especificidades da modalidade de educação à distância; ● Acompanhamento sistemático do processo de aprendizagem dos alunos no AVA; ● Instrumentos de avaliação da aprendizagem; ● Biblioteca digital. ● Possibilidade de Gravação de videoaulas em ambiente adequado; ● Ambiente apropriado para videoconferências;
Avaliação da Aprendizagem: A avaliação da aprendizagem deve ser projetada dentro do contexto e das condições nas quais o ensino a distância se realiza. Nas disciplinas do Curso de Licenciatura em Física deverão ser realizadas: ● Disciplinas de 90hs ou 60hs (6 e 4 créditos): três provas presenciais, com uma substitutiva ao final do curso, valendo 70% da nota; 30% da nota em avaliação à distância. ● Disciplinas de 30hs (2 créditos): uma ou duas provas presenciais, podendo uma ser substitutiva ao final do curso, valendo 60% da nota; 40% da nota em avaliação à distância. O desempenho do aluno deve ser analisado tendo como pano de fundo as vivências esperadas para o curso. Nesse sentido, as vivências articuladoras das habilidades e competências devem ser as guias para a construção de instrumentos de avaliação que deverão circular entre os alunos no meio e ao fim de cada período. Diga-se, de fato, que o ambiente virtual torna esse tipo de avaliação muito mais simples do que as pensadas para situações 100% presenciais.
Com relação ao plano de estudos de Disciplina: ● Os objetivos particulares esperados dos alunos com relação aos elementos vivenciais apresentados na Tabela 2; ● Os objetivos específicos vinculados aos conteúdos precípuos de cada disciplina (e como estes objetivos se inserem no esquema apresentado na Tabela 2); ● O desempenho esperado dos alunos, pano de fundo para os processos de avaliação; ● O desempenho dos alunos será registrado em notas que devem expressar valores em uma escala que vai de 0 a 10, sendo considerados insuficientes os resultados que se situarem abaixo de 5,0 (cinco). ● Deve estar claro no plano de disciplina quais atividades receberão nota, e quais atividades não receberão.
Com relação à progressão do aluno na disciplina: ● O aluno poderá obter progressão plena ou parcial no desenvolvimento do plano de estudos previsto para cada disciplina. o Terá progredido plenamente o aluno que obtiver percentual de desempenho igual ou superior a 50%. o Será considerado insuficiente o aluno cujo desempenho se situe abaixo de 50%. ▪ O aluno, então, deverá submeter-se a um plano de acompanhamento sistemático de estudos e posterior verificação da aprendizagem que resultará em atribuição de nota. ▪ A primeira nota será substituída pela segunda nota, independentemente de qual for a maior, obtida no programa de acompanhamento de estudos. o Será permitido ao aluno submeter-se ao plano de acompanhamento sistemático de estudos concomitantemente com as disciplinas do módulo no qual esteja matriculado, em até duas disciplinas nas quais não tenha obtido progressão plena, cujos estudos serão desenvolvidos por acompanhamento e deverão ser concluídos, improrrogavelmente, no semestre imediatamente posterior.
Com relação aos critérios de desligamento ● O aluno entrará “em condição” e será avisado pelas instâncias acadêmico-administrativas (Secretaria de Assuntos Acadêmicos – SAA) se: o Não concluir ao menos quatro disciplinas com aproveitamento em dois semestres consecutivos (desconsiderados os semestres em que houver trancamento justificado); o For reprovado duas vezes em uma mesma disciplina; ● O aluno “em condição” que não cumprir as condições impostas para voltar à normalidade acadêmica (fazer número de disciplinas que reponha sua média em quatro por semestre, ser aprovado na disciplina em que já foi reprovado duas vezes ou realizar matrícula no período subsequente) será desligado do curso. ● Os estudos desenvolvidos nos dois primeiros semestres, além introduzir o aluno no curso e no uso do AVA, também servirão de suporte ao nivelamento dos estudos dos alunos. ● O tutor e/ou o professor devem estar atentos para realizar avaliações com razoável periodicidade de modo a permitir a identificação de alunos com problemas e a imediata ação dos tutores de modo a sanar tais problemas. ● As disciplinas poderão, preferencialmente, contar com um questionário padronizado de avaliação do professor e do(s) tutor(es) a ser distribuído no meio do semestre e ao final deste, a critério do professor que, ao concordar com sua aplicação concorda ipso facto com a publicidade dos resultados, que será dada a tais resultados pelo Coordenador de Graduação do Curso, ou sob sua responsabilidade.
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