O Perfil do Egresso projetado para a formação do Bacharel em Design pelo Departamento de Design do Instituto de Artes da Universidade de Brasília busca expressar e explicitar as competências a serem desenvolvidas pelo discente durante sua graduação, buscando articulá-las com necessidades locais e regionais, mas considerando seu permanente caráter provisório, uma vez que sua adequação e ampliação em função de novas demandas apresentadas pelo setor produtivo evocam seu constante aprimoramento.
Por meio de uma visão sistêmica da atividade projetual, o Bacharel em Design egresso do curso de Design da UnB apresenta capacidade de gerenciar as várias etapas necessárias à elaboração de um produto, seja ele material ou imaterial. Articula com habilidade a formação técnica, orientada à produção e à entrega de projetos e produtos, sem deixar de tratar os parâmetros conceituais, manifestos na articulação simbólica, no pensamento crítico e em conhecimentos transdisciplinares com enfoque humanista. Possui capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e de processos de criação (DCN, Art. 4, I). Conhece o setor produtivo, seus processos de produção e fabricação e suas respectivas tecnologias. Projeta respeitando o ajustamento histórico, os traços culturais e de desenvolvimento de comunidades, bem como as características dos usuários e de seu contexto sócio-econômico e cultural (DCN, Art. 3º). As habilidades criativas o capacitam para transitar em diversas técnicas e linguagens de representação, estabelecendo um diálogo entre os aspectos técnicos e a reflexão conceitual através de linguagem própria, expressando conceitos e soluções em seus projetos (DCN, Art. 4º, II). Apresenta competência para interagir com profissionais de outras áreas, integrando e gerenciando equipes interdisciplinares, elaborando e executando pesquisas e projetos sem deixar de considerar as dimensões social, cultural, técnica e econômica de sua atividade (DCN, Art. 4º, III). Está habilitado a projetar de acordo com os movimentos da cultura, sendo capaz de compreender, se adequar e fazer uso de ferramental cognitivo ou tecnológico de diversas naturezas, materiais ou imateriais, tanto no campo das tecnologias de vanguarda quanto no emprego consciente de tecnologias já tradicionais. Compreende os processos de fabricação e as implicações econômicas, psicológicas e sociais de projetos e produtos que desenvolve (DCN, Art. 4º, IV). Ao definir, com critério, os objetivos, técnicas de coleta e tratamento de dados, tem subsídios para gerar e avaliar as alternativas por meio de um raciocínio abdutivo, que integra indução e dedução à geração de alternativas, para que seja implantada a solução que melhor comunica ou viabiliza os resultados pretendidos (DCN, Art. 4º, V). O egresso conhece o setor produtivo de sua especialização, revelando sólida visão setorial relacionada ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias, abrangendo diferentes manifestações regionais. Tem, ainda, domínio técnico de gerência de produção, além da administração de recursos humanos e materiais para fins produtivos, estando habilitado a avaliar a relação entre custos e investimentos (DCN, Art. 4º, VI e VII). Especificidades do setor produtivo serão tratadas no item ‘áreas de atuação do egresso’, subsequente a este. Com uma visão histórica e prospectiva, o egresso revela consciência das implicações econômicas, sociais, antropológicas, ambientais, estéticas e éticas de sua atividade. (DCN, Art. 4º, VIII). Ademais, o Bacharel em Design da Universidade de Brasília distingue e está habilitado a articular as etapas de metodologia projetual daquelas relacionadas à pesquisa científica, com habilidades para trabalhar como profissional de Design junto à iniciativa privada, atuando em agências e órgãos governamentais e/ou pára governamentais. Como pesquisador do campo de Design, está habilitado a atuar tanto no contexto acadêmico como em órgãos de pesquisa e inovação, tanto estatais quanto de iniciativa privada. Com habilidade de transformar atitudes reflexivas em ação – projeto –, o egresso é capaz de mapear cenários socioeconômicos e, por meio de habilidades técnicas, realizar leituras culturais aprofundadas, que norteiam a resolução de problemas, capacitando-o frente a demandas específicas da sociedade contemporânea. Com conhecimentos transdisciplinares, o egresso tem a capacidade de projetar por meio de diferentes percursos metodológicos, com o cuidado de mantê-los alinhados às possibilidades dos sistemas de produção e representação. Outrossim, está habilitado a desenvolver projetos no contexto de sustentabilidade socioambiental, considerando o ciclo de vida do produto, apresentando soluções que minimizem os custos ambientais e sociais. Este conjunto de habilidades e competências não se propõe a ser permanente, uma vez que os câmbios nos meios de produção e as transformações dos mesmos geram a constante necessidade de revisão destas competências e habilidades. Para tanto, o Departamento de Design do Instituto de Artes da Universidade de Brasília realiza, em caráter bienal, Fóruns Internos dos Docentes do Departamento de Design, sempre no primeiro semestre dos anos pares, de modo a discutir, avaliar e implementar alterações necessárias a este documento.
O curso de Bacharelado em Design apresenta como metodologia determinadas estratégias alinhadas com as perspectivas de inovação. Considerando a evolução das dinâmicas de ensino- aprendizagem, busca incentivar percursos que promovam a autonomia discente, em que disciplinas de foco teórico se relacionam com aquelas de escopo mais prático, promovendo uma abordagem interdisciplinar e com temas e problemas transversais aos componentes curriculares de um mesmo período. O curso apresenta flexibilidade metodológica no percurso dos períodos, o que traz ao estudante a possibilidade de determinar com relativa autonomia seu trajeto nas disciplinas constantes na grade horária. Nas disciplinas práticas, as estratégias de desenvolvimento são diferenciadas conforme a ementa. Disciplinas propostas como não pertencentes ao currículo obrigatório, como os Tópicos Especiais em Design e os Estudos Dirigidos em Design, ampliam as perspectivas do curso. Com ementas que incorporam desde conteúdos que podem vir a servir para que o aluno crie relações com estratégias de pesquisa – que inclusive podem ser continuados em Programas de Pós-Graduação – como aquelas que ocorrem em formatos de oficinas práticas. A apresentação e desenvolvimento dos conteúdos procura integrar estratégias de aprendizagem diferenciadas, muitas vezes alinhadas às metodologias ativas. Busca, ainda, garantir que o discente tenha acesso aos conteúdos digitais e analógicos indicados pelo professor de cada curso ao incorporar as TICs enquanto ferramentas de apoio. As disciplinas práticas têm estreita ligação com aquelas de escopo mais teórico, promovendo um aproveitamento integralizado do curso. Considerando o ambiente educacional digital da era da informação, os docentes atuam como facilitadores de debates e estratégias muitas vezes propostas em conjunto com os estudantes, o que caracteriza um processo mais autônomo de formação. Dessa forma, as metodologias apresentam também um caráter colaborativo, o que facilita a participação do discente na condução do projeto e fomenta a capacidade de integrar equipes multidisciplinares após a conclusão do curso. Por meio de seminários, atividades práticas e pelas disciplinas de Estudos Dirigidos em Design, Tópicos Especiais em Design e Trabalho de Conclusão de Curso, os docentes acompanham continuamente as atividades desenvolvidas, com atenção às relações estabelecidas entre aspectos teóricos e práticos dos conteúdos em questão. O contexto de ensino-aprendizagem no cenário do design contemporâneo busca uma visão holística do profissional do Design, incentivando o diagnóstico das situaçõesproblema por meio de análises específicas, para que as materialidades projetivas possam ser identificadas em uma etapa posterior da metodologia, contribuindo assim de maneira individualizada para setores específicos da sociedade. A discussão, análise e apropriação dos conteúdos das disciplinas fornecem, dessa forma, um aparato de técnicas, relações estéticas e de significação. As disciplinas de caráter extensionista requerem posturas ainda mais ativas por parte do discente, demandando que o aluno realize também o diagnóstico do problema, seguido de suas possíveis materialidades e propostas metodológicas.
O Curso de Design – Projeto do Produto, como já citado anteriormente, foi aberto em 1989, dentro do Departamento de Artes Visuais, IdA. Desde então vem promovendo ações para aperfeiçoamento no ensino, na pesquisa e na extensão. Em 1994, por iniciativa dos professores do curso e da chefia do Depto de Artes Visuais e com apoio do Decanato de Graduação, o curso passou por uma comissão externa de avaliação proposta pela UnB com o intuito de se criarem diretrizes para uma melhor implementação dos cursos de Programação Visual e Projeto do Produto. A partir de então, algumas ações foram realizadas como reformulação curricular implementada em 1998, geração de novas vagas para concursos de professores, criação de laboratórios, entre outros, e que se seguiu com o primeiro ato de reconhecimento do curso, ver Ato de Reconhecimento – Portaria do Ministério da Educação e do Desporto N°1094 de 28/09/1998. As renovações de reconhecimento do curso foram implementadas em 2007, 2013, 2017 e 2020, todas advindas de avaliações pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – Enade. O curso de Design – Projeto do Produto vem obtendo sucesso e já passou por seis avaliações do Enade, conseguindo as seguintes pontuações: 2006 – nota 4; 2009 – nota 5; 2012 – nota 4; 2015 – nota 5; 2018 – nota 5; e 2021 – nota 5, o que demonstra a excelência do curso. Com relação às avaliações internas dentro do curso, faz parte das políticas de autoavaliação da UnB, a avaliação docente realizada pelos discentes a cada semestre. Os alunos são convocados a preencher um formulário de avaliação no período de matrículas. Já acerca das ações implementadas pelo Departamento de Design, faz parte do processo de gestão a realização de “Seminários de autoavaliação do DIn” que ocorrem, aproximadamente, a cada quatro semestres. Esses seminários têm como objetivo avaliar situações acadêmicas, de currículo, de infraestrutura entre outros, e traçar metas para melhorias e resolução de problemas, bem como propor implementações futuras. Esses seminários são convocados pelas coordenações de curso e pelo Núcleo Docente Estruturante – NDE com a participação dos professores e representantes dos servidores e dos estudantes.
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