O ENEM como dispositivo curricular: discurso, saber e desigualdades educacionais no ensino de Química
ENEM; ensino de Química; currículo; avaliação em larga escala; desigualdades educacionais; análise do discurso; Foucault.
Este trabalho investiga o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como dispositivo curricular e político que regula o ensino de Ciências da Natureza no Brasil, com ênfase no ensino de Química. A partir das perspectivas teóricas de Foucault, Young e Popkewitz, analisa-se de que modo a estrutura e os critérios de avaliação do exame contribuem para a manutenção ou mitigação das desigualdades educacionais. O trabalho reconstrói a trajetória histórica do ENEM, desde seu caráter diagnóstico original até sua consolidação como mecanismo de governança educacional e principal via de acesso ao ensino superior. Por meio de análise documental e discursiva, a pesquisa examina a alquimia dos saberes escolares e as tensões entre competências gerais e conhecimentos disciplinares específicos. O levantamento bibliográfico discute a qualidade psicométrica dos itens e os efeitos dos fatores socioeconômicos no desempenho dos estudantes em Ciências da Natureza. Em conjunto, essas análises buscam compreender como o ENEM participa da produção de subjetividades escolares e da definição do que é reconhecido como conhecimento legítimo na educação básica brasileira.