Efeitos do Crédito Rural na Agricultura Irrigada no Brasil sob Condicionantes Ambientais
Fluxo de Retorno da Irrigação; Políticas Públicas; Sustentabilidade Hídrica; Diferenças em Diferenças; Integração Fracionária.
Diante da relevância do crédito rural como instrumento de política para fomentar o desenvolvimento agrícola no Brasil, da crescente importância da irrigação para o aumento da produção de alimentos e da pressão que essa prática exerce sobre os recursos hídricos, esta tese analisa o comportamento temporal das séries de crédito e dos usos da água na agricultura irrigada, bem como o impacto de um dos programas de crédito voltado à irrigação sobre o retorno hídrico. A pesquisa está estruturada em três capítulos. O primeiro apresenta um panorama geral da agricultura irrigada e do crédito rural no Brasil. O segundo capítulo investiga a persistência temporal das séries de vazões de retirada, consumo e retorno da água na agricultura irrigada brasileira, bem como das séries de crédito rural associadas aos programas Moderagro, Moderinfra e Pronaf. Para isso, utilizam-se técnicas de integração fracionária e testes de quebras estruturais, buscando avaliar o comportamento das séries na presença de choques exógenos. Os resultados indicaram elevada persistência temporal nas séries hídricas e de crédito rural, sugerindo que mudanças nas políticas agrícolas e de gestão hídrica podem produzir efeitos duradouros sobre o comportamento desse setor. O terceiro capítulo analisa os efeitos do crédito rural, por meio do programa Moderinfra, sobre a vazão de retorno da irrigação nos municípios brasileiros e na região Nordeste. Foram utilizados modelos de Diferenças em Diferenças, incluindo abordagens tradicionais, modelos com múltiplos períodos e tratamento contínuo, com base em dados em painel de 3.407 municípios no período de 2003 a 2023. Os resultados evidenciam heterogeneidade temporal e espacial dos efeitos do crédito rural sobre a vazão de retorno da irrigação. Para o Brasil, observou-se associação positiva entre maiores intensidades de financiamento e aumento das vazões de retorno. Para o Nordeste, os efeitos médios não foram estatisticamente significativos. De maneira geral, os resultados indicam que a expansão da agricultura irrigada e o fortalecimento das políticas de financiamento agrícola contribuíram para o aumento da capacidade produtiva do setor agropecuário brasileiro, mas também ampliaram os desafios relacionados à sustentabilidade hídrica, reforçando a necessidade de integração entre políticas de crédito rural, gestão hídrica e sustentabilidade ambiental.