O encontro de alunos do 9° ano do Ensino Fundamental com o inglês numa escola pública do Distrito Federal: escola, cotidiano e futuro
língua inglesa; ensino-aprendizagem; escola pública; narrativas visuais.
O presente trabalho tem como objetivos entender como os alunos do 9° ano da escola pública em estudo se sentem em relação à aprendizagem de inglês na escola; indagar os participantes sobre o que seria uma aula de inglês motivadora e em que se sentissem bem e conhecer se/como os participantes enxergam o inglês nas suas vidas futuras. A fundamentação teórica contempla estudos sobre o sucesso e o insucesso do ensinoaprendizagem da língua inglesa na escola pública e os fatores que atravessam esses processos (Moita Lopes, 2006; Cruz; Lima, 2011; Leffa, 2012), com destaque para os estudos da motivação em diversas áreas (Gardner e Lambert, 1972); Vernon, 1973; Brown, 1994; Rogers, Ludington e Graham, 1997; Guimarães, 2001; Hirano, 2012). Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa (Denzin; Lincoln, 2006) e interpretativista (Moita Lopes, 1994), utilizando o estudo de caso (Yin, 2005) como método, com os seguintes instrumentos: questionário (Gil, 2008) e narrativas visuais (Brandão, 2019). A análise dos dados foi realizada à luz da proposta hermenêutica-dialética de Minayo (2004) e a análise dos dados indicou que os participantes não estabelecem uma correlação direta entre a presença do inglês em seu cotidiano e as práticas vivenciadas em sala de aula, pois suas emoções revelaram que ainda há uma distância entre como enxergam a aula e qual aula realmente gostariam de ter. Todavia, as sugestões dos alunos acerca de um ambiente de aprendizagem motivador revelaram estratégias contributivas para a aprendizagem da língua inglesa. Por fim, observou-se que os percalços sociais e educacionais não impedem que a maioria dos estudantes vislumbre o idioma como elemento constituinte de seus projetos de vida no futuro, entretanto, a colonialidade se manifesta no imaginário dos estudantes ao projetarem os EUA como destino idealizado para estudos e trabalho, reduzindo o inglês a uma ferramenta de empregabilidade em um território específico. Essa motivação utilitarista ratifica a lógica neoliberal, transformando o idioma em um ativo de capital individual em vez de um direito à formação crítica e humana. Espera-se que os resultados dessa pesquisa possam subsidiar professores e coordenação pedagógica da escola pesquisa, na construção de estratégias que promovam o ensinoaprendizagem de inglês numa perspectiva inclusiva, para quem tem poder financeiro e que não o tem, promovendo a legitimação do ensino público ao demonstrar que a democratização do acesso a um aprendizado de inglês consistente é um direito que os estudantes têm (ou deveriam ter).