Análise acústica segmental da produção leitora de professores de espanhol em formação e suas crenças acerca da variedade dialetal produzida
Crenças. Pronúncia. Análise Acústica. Variedades dialetais. Professor de espanhol em formação
Aprendentes e professores em formação tendem a ter diferentes variedades do espanhol como referência, influenciados por fatores afetivos, culturais e por crenças e atitudes formativas (Gomes; Souza, 2022; Irala, 2004, 2010; Pontes, 2010). Para aproximar-se de uma variedade, é preciso atentar aos aspectos fonéticos (Preuss, 2014), visando uma reprodução coerente. Assim sendo, esse estudo tem como objetivo contrastar as crenças de professores brasileiros de espanhol em formação acerca de sua identificação com uma variedade dialetal e a correspondência dessa escolha em sua produção oral no nível segmental. A pesquisa, de abordagem qualiquanti e método de estudo de caso, utilizou questionário (crenças), teste perceptivo com o programa TP (consciência fonética de yeísmo, seseo, lleísmo e distinción), produção leitora (relação crença–produção) e entrevista (complemento do questionário). Participaram dez professores em formação do Centro-Oeste, sendo cinco de um Instituto Federal (IF) e cinco de uma Universidade Pública. A fundamentação teórica abrange crenças como construções complexas que influenciam o ensino-aprendizagem (Barcelos, 2006; Pajares, 1992; Usó, 2012), o processo de transferência da L1 para a L2 via filtro fonológico (Trubetzkoy, 1939; Flege, 1988), o componente fônico como integrador da comunicação (Cantero, 2019) e a perspectiva policêntrica do espanhol (Fanjul, 2011; Moreno-Fernández, 2010, 2017). Os resultados indicam que muitos participantes acreditam aproximar-se de variedades latino-americanas e peninsulares, ou misturá-las, mas a maioria rejeita a necessidade de falar como nativo. O teste perceptivo revelou que os que tiveram mais acertos também concluíram a tarefa mais rapidamente, sugerindo processamento fonológico mais automatizado. A produção leitora evidenciou que a maior parte dos participantes não se aproxima da variedade que acredita produzir, demonstrando que as crenças não se sustentam na produção leitora. Percebeu-se que o grupo Universidade, cujo contato foi mais intenso com professores que adotavam a variedade peninsular, demonstrou mais homogeneidade na produção, com presença de seseo e uso do fonema africado. Já o grupo IF apresentou maior heterogeneidade, transitando entre variantes do yeísmo e presença do seseo. De ambos o grupo, ficou demarcada a frequência do fone africado [dʒ], solução que já está consolidada em seu repertório fonético do português e que, portanto, lhes oferece uma alternativa viável e funcional. O estudo reforça a necessidade de instrução explícita no ensino de espanhol e a necessidade de se trabalhar as crenças como mecanismo para melhor desenvolver as competências fônicas dos professores de espanhol em formação, posto que são referências a seus alunos. A pesquisa contribui para a Linguística Aplicada ao evidenciar como as crenças influenciam a escolha de variedade no ensino de pronúncia, podendo fortalecer a competência comunicativa ou limitar-se ao plano do discurso.