Retomada do objeto: a representaçãomuseal de povos indígenas nas Américas entre a colonialidade e a práxis decolonial - uma análise comparada do Museu do Índio (Brasil) e do Field Museum (EUA)
Museus, Povos Indígenas, Colonialidade, Representação Museal,
Pesquisa Participativa.
Esta tese analisa a representação museal dos povos indígenas, compreendida
como um fenômeno situado na tensão entre as estruturas de poder-saber da
colonialidade e a emergência da práxis decolonial em museus nas Américas. O
objetivo central é demonstrar que a superação da objetificação da alteridade
indígena a partir dos museus, indissociável da reestruturação dos processos de
produção de conhecimento que os sustentam, exige mudanças institucionais que
vão além de intervenções superficiais para fazer frente aos legados da
colonialidade. Trata-se de uma análise comparada entre o Museu do Índio (Brasil)
e o Field Museum (EUA), cujos contextos de origem e arcabouços institucionais
específicos ilustram o fenômeno em sua dimensão continental. O estudo articula
as trajetórias históricas, as práticas expositivas e as experiências recentes de
pesquisa-ação participativa nos museus observados, com base em fontes
documentais, pesquisa bibliográfica e visitas de pesquisa. Os resultados revelam
que, apesar de trajetórias distintas, ambas as instituições atravessaram o século
XX para, nas últimas décadas, convergirem a horizontes decoloniais mais abertos
e inclusivos, ainda que com desafios. Conclui-se que estas mudanças
reconfiguraram práticas de musealização tradicionais em novas formas de
colaboração para partilha da autoridade curatorial e prestação de serviços
relevantes a comunidades indígenas pelos museus, ilustrando caminhos concretos
para a superação estrutural da objetificação e a retomada do território simbólico
da representação museal pelos povos indígenas.