Entre o sertão e o sujeito: A produção da identidade racializada no sertão como dispositivo da colonialidade
Palavras-chave: sertão; identidade; colonialidade do ser; teoria decolonial; psicanálise.
Este projeto investiga os processos de produção da identidade racializada no sertão nordestino, entendendo o “sertão” não como uma região geográfica delimitada, mas como um território simbólico forjado por discursos coloniais e modernos. A pesquisa parte da hipótese de que a identidade sertaneja, historicamente marcada por estigmas de inferioridade e atraso, é vivida de forma ambígua: ao mesmo tempo em que carrega as marcas da colonialidade do ser e do saber, também é ressignificada em práticas cotidianas que tensionam os sentidos impostos. A investigação articula os campos da teoria decolonial, da crítica psicanalítica e das ciências sociais para entender como os sujeitos sertanejos elaboram e vivenciam a identidade a eles atribuída. A metodologia combina levantamento teórico e trabalho de campo na Missa do Vaqueiro, em Serrita (PE), evento que condensa símbolos centrais da cultura sertaneja. Busca-se compreender de que modo narrativas, práticas culturais e modos de vida sertanejos podem ser compreendidos como formas de resistência simbólica e reinvenção subjetiva frente às violências históricas da colonialidade.