TERRITORIALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO EXTRATIVISTA AGRÁRIO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
acumulação; land grabbing; questão agrária; Pará; extrativismo
A pesquisa analisou a territorialização do desenvolvimento extrativista agrário no Pará, caracterizada pela apropriação em larga escala de terras e recursos. Historicamente presente nas Américas, essa característica é agora intensificada por novos elementos, os mecanismos de acumulação por land grabbing. O estudo examina os ciclos econômicos e políticas desenvolvimentistas no Pará, bem como esses mecanismos que impactaram a territorialidade paraense no século XXI. Os resultados indicam que o desenvolvimento do Pará foi marcado pela exploração de recursos naturais para atender mercados internacionais, tornando a economia paraense vulnerável às flutuações na demanda global. Essa dependência foi intensificada com o Consenso das Commodities, em um contexto de antecipação das crises alimentar e energética, que impulsionou a demanda internacional por commodities agrícolas. No Pará, a área ocupada com monocultivos de soja, incentivada por políticas públicas, infraestrutura logística, novos instrumentos de crédito e investimentos privados, aumentou 28.811%% em 20 anos. A captura do Estado por setores agroextrativistas favoreceu a criação e modificação de programas fundiários que facilitaram a regularização de grandes propriedades e a expansão da fronteira extrativa agrária no Pará, com consequências sobre o desmatamento, especulação fundiária e violência no campo. Portanto, destaca-se a necessidade de repensar os modelos de desenvolvimento para a Amazônia de modo a reduzir a dependência externa e promover uso sustentável das potencialidades e recursos endógenos, fomentando uma economia solidária e inclusiva e contribuindo para a autonomia e resiliência das comunidades amazônicas.