Negociando mundos: Relato do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da TI Yanomami a partir da ontologia política
ontologia política;
pluriverso; mundos múltiplos;
conflitos ontológicos;
equivocações;
gestão territorial e ambiental;
Yanomami
Vivemos atualmente problemas modernos para os quais soluções modernas não têm sido suficientes. (ESCOBAR, 2018). Enfrentar esses problemas complexos exige reinventar formas de constituir mundos, de maneira que haja espaço para que mundos múltiplos (pluriverso) possam coexistir (DE LA CADENA e BLASER, 2018). No Brasil, movimentos indígenas avançam em estratégias políticas de gestão territorial e ambiental de terras indígenas, um campo complexo de negociações marcadas pelo encontro de mundos radicalmente distintos. Esta pesquisa visa compreender como a gestão ambiental é performada no Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Yanomami (PGTA da TIY), a fim de verificar se há espaço de negociação entre mundos díspares, de modo que um mundo não invisibilize o outro. Ela se insere no campo de pesquisa da ontologia política. Por meio da Análise Temática Reflexiva (TAR), buscou-se mapear temas e subtemas nas propostas de gestão ambiental do PGTA da TIY. Os resultados mostram que o PGTA enseja prática de mundos múltiplos e abre espaço para negociação do pluriverso. No entanto, observa-se que o PGTA é um campo fértil para equivocações sem controle, que podem levar a conflitos ontológicos.