Análise de sistemas integrados e desafios à transição energética global
Mudança do clima; transição energética; dinâmica de sistemas; cenários energéticos; mitigação.
Esta dissertação trata da transição energética global e seus impactos na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2050, com base na aplicação de modelos de dinâmica de sistemas (system dynamics), como as Calculadoras 2050. A transição energética é essencial para mitigar as mudanças climáticas e está diretamente ligada à evolução histórica da matriz energética, caracterizada por uma dependência crescente de combustíveis fósseis, desde a Revolução Industrial. O Acordo de Paris e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) representam os principais compromissos internacionais para enfrentar essa crise climática. O objetivo geral da dissertação é analisar cenários de transição energética em níveis global, regional e nacional, identificando riscos e oportunidades para uma redução acelerada das emissões de GEE, por meio de modelagem integrada de sistemas. Além disso, são propostas recomendações ao aprimoramento desses modelos e ao planejamento energético voltado à mitigação das mudanças climáticas. Utilizou-se como método, revisão de literatura e análise internacional comparada, com base nos seguintes modelos dinâmicos (Calculadoras 2050): SINAPSE (Brasil), IESS (Índia), GAIN Energy Calculator (Estados Unidos), EUCalc (Europa) e Global Calculator (mundial). Foram simulados cenários energéticos que integram diferentes trajetórias de descarbonização e tecnologias energéticas, levando-se em conta fatores socioeconômicos e políticos. Os resultados revelam que, embora os países apresentem esforços ambiciosos em suas NDCs, esses ainda são insuficientes para atingir as metas globais do Acordo de Paris. Ao analisar as NDCs à luz dos modelos utilizados, demonstra-se que, sem políticas mais ambiciosas, a concentração de GEE continuará a aumentar, colocando em risco os limites de aquecimento global estabelecidos pelo IPCC. Os modelos também permitem identificar os setores mais críticos para uma mitigação mais profunda das respectivas matrizes energéticas. A União Europeia tem avançado em direção a metas mais ambiciosas, enquanto países como o Brasil e a Índia enfrentam desafios socioeconômicos que dificultam o cumprimento de suas metas climáticas. Os Estados Unidos ainda apresentam elevadas emissões per capita de GEE, provenientes de combustíveis fósseis. Globalmente, nota-se um descompasso entre os discursos políticos de mitigação e as simulações realizadas. Conclui-se que a governança climática eficaz e a cooperação internacional são essenciais para promover uma transição energética justa e eficaz. Para acelerar a descarbonização em escala global, é necessário aprimorar as políticas de mitigação, fortalecer os mecanismos de financiamento e alinhar as ações globais com os potenciais identificados, por meio da modelagem integrada de sistemas energéticos.