Paisagens, Conservação e Conectividade: O Papel das Trilhas na Gestão e Governança de Áreas Protegidas nas Américas
Trilhas de Longo Curso, Conservação, Conectividade, Governança, Gestão Efetiva, Áreas Protegidas e Conservadas
Em um contexto global marcado pelas mudanças climáticas, perda de biodiversidade e crescente fragmentação dos ecossistemas, as Trilhas de Longo Curso (TLCs) emergem como instrumentos capazes de articular conservação da natureza, conectividade da paisagem e desenvolvimento territorial. Essas iniciativas buscam ordenar e promover o uso público das Áreas Protegidas e Conservadas (APCs), integrando objetivos ecológicos, educativos e socioculturais. A presente tese tem como objetivo compreender o processo de estruturação dos sistemas de TLCs nas Américas e suas contribuições para a conservação da natureza, examinando como se configuram seus modelos de gestão, governança e participação. As perguntas norteadoras que orientam o estudo são: (i) como os sistemas de TLCs se desenvolveram historicamente no continente americano e quais fatores moldaram suas trajetórias institucionais?; (ii) de que forma esses sistemas têm contribuído para a conservação, a conectividade ecológica e a integração entre áreas protegidas e comunidades locais?; e (iii) quais elementos de governança influenciam sua efetividade e sustentabilidade a longo prazo? Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, comparativa e multiescalar, fundamentada na História Ambiental e na análise documental, complementada por questionários e estudos de caso em diferentes países das Américas. Os resultados demonstram que os sistemas de TLCs têm evoluído como plataformas de cooperação entre Estado e sociedade civil, reforçando políticas de conservação e conectividade ecológica, ao mesmo tempo em que promovem novas formas de engajamento comunitário e valorização territorial. Contudo, persistem desafios relacionados à institucionalização, financiamento e à integração de abordagens participativas nas políticas públicas. Conclui-se que as TLCs podem atuar como instrumentos estratégicos de conservação e governança em escala de paisagens, contribuindo para os compromissos internacionais vinculados às agendas de conservação, restauração, ação climática e sustentabilidade.