Descarbonização do Setor de Edificações: Tendências Internacionais, Estratégias e Diretrizes para o Brasil
Descarbonização; Edificações; Construção Civil; Carbono Incorporado.
A emergência climática demanda transformações estruturais nos setores de maior impacto ambiental, entre os quais o setor de edificações se destaca pela expressiva contribuição às emissões globais de CO₂. Na atualidade, a maior parte da população mundial vive em áreas urbanizadas e permanece predominantemente em edificações ou em deslocamento entre elas, o que torna os edifícios componentes centrais da vida moderna. Suas emissões decorrem tanto da fase operacional, associada sobretudo ao consumo de eletricidade e combustíveis fósseis para aquecimento e resfriamento, quanto das emissões incorporadas, provenientes da produção de materiais como aço, cimento e concreto, bem como do transporte e das atividades construtivas. As edificações são responsáveis por aproximadamente 33% das emissões de CO₂ globais anualmente; esse cenário evidencia a centralidade do setor nas estratégias de mitigação e na formulação de políticas voltadas à transição para uma economia de baixo carbono. Embora a descarbonização desse setor seja reconhecida como imprescindível, observa-se escassez de políticas públicas integradas, sobretudo em países em desenvolvimento, como o Brasil. O presente trabalho tem como objetivo analisar experiências internacionais de descarbonização na construção civil, a fim de identificar diretrizes adaptáveis ao contexto brasileiro e orientar a aceleração do processo nacional, partindo da hipótese de que a descarbonização do setor de edificações no Brasil pode ser fortalecida pela incorporação de experiências e práticas internacionais, por se tratar de um desafio sistêmico que demanda soluções integradas. A metodologia adotada combina revisão sistemática de literatura, análise de bases de dados secundários e tendências, análise comparada entre Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia e entrevistas semiestruturadas com atores institucionais e do setor produtivo. Os resultados esperados consistem em compreender como diferentes países estruturam políticas, mecanismos financeiros e instrumentos institucionais voltados à transição para edificações de baixo carbono, de modo a identificar soluções eficazes e formular recomendações aplicáveis ao contexto brasileiro.