RESILIÊNCIA CLIMÁTICA EM FORTALEZA, CEARÁ: Análise da vulnerabilidade hidrológica e proposta de revisão metodológica pela incorporação da sensibilidade físico-territorial no contexto do planejamento urbano
Adaptação climática; mudanças climáticas; sensibilidade físico-territorial; planejamento urbano; vulnerabilidade hidrológica; resiliência climática.
A intensificação dos eventos hidrometeorológicos extremos e os efeitos das mudanças climáticas têm ampliado a necessidade de fortalecimento das estratégias de adaptação urbana, especialmente em cidades marcadas por elevada densidade populacional, intensa impermeabilização do solo e recorrentes conflitos territoriais associados à drenagem urbana. Nesse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo analisar a vulnerabilidade hidrológica associada às chuvas extremas no município de Fortaleza, Ceará, e propor uma revisão metodológica pela incorporação da sensibilidade físico-territorial, considerando indicadores de impermeabilização do solo e suscetibilidade à inundação, com vistas ao aprimoramento da representação das condições territoriais nos instrumentos de planejamento climático local. A pesquisa adotou abordagem qualiquantitativa, exploratória, analítica e espacial, estruturada em três eixos metodológicos complementares: i) análise qualitativa do Índice de Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas de Fortaleza (IVCC) e avaliação prospectiva da lógica metodológica das Análises de Risco e Vulnerabilidade Climática (ARVC) desenvolvidas pelo ICLEI; ii) construção do indicador de impermeabilização do solo, por meio de sensoriamento remoto orbital, utilizando imagens Sentinel-2 e aplicação dos índices espectrais NDBI e MNDWI; e iii) integração multicritério territorial entre a impermeabilização do solo e a suscetibilidade físico-natural à inundação, incorporando a Carta de Suscetibilidade à Inundação do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Os resultados demonstraram que 89,3% dos bairros de Fortaleza foram classificados em níveis altos ou muito altos de impermeabilização do solo, indicando forte artificialização da superfície urbana e potencial intensificação do escoamento superficial. O cruzamento entre a sensibilidade físico-territorial e as classes de exposição do IVCC revelou padrões de criticidade territorial não integralmente representados pelo instrumento municipal, identificando 23 bairros classificados nas categorias de subestimação crítica e potencial subestimação. Os achados evidenciaram que a incorporação de variáveis físico-territoriais contribui para o refinamento da representação das condições territoriais associadas às chuvas extremas, fortalecendo as avaliações de vulnerabilidade climática e subsidiando o aprimoramento de futuras estratégias de adaptação e planejamento urbano no município de Fortaleza.