NEOEXTRATIVISMO ENTRE FRONTEIRAS: MOVIMENTOS INDÍGENAS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL E NA ARGENTINA NOS ANOS 2000.
Povos Indígenas, Neoextrativismo, Fronteiras, Participação Política, Brasil, Argentina.
A interação entre povos indígenas e projetos de desenvolvimento é uma questão crucial nas discussões sobre questões socioambientais, neoextrativismo e expansão das fronteiras agropecuárias, especialmente nos anos 2000 (Gudynas, 2012, Svampa, 2019, Acosta, 2011). Novas fronteiras agrárias extrativas (Domingues e Sauer, 2021) para exploração dos recursos naturais vêm se expandindo, como é o caso da Amazônia e do Chaco Argentino. Os dois maiores biomas da América do Sul têm sido palco de grandes índices de desmatamento provocados pela conversão de áreas para a produção de commodities agrícolas e pecuária (Fearnside, 2019, Venencia, 2021). Nessas regiões vivem diversos povos indígenas: muitos em terras demarcadas, outros em luta pela demarcação e outros que resistem às constantes expulsões provocadas pela expansão desenfreada das fronteiras extrativas. Esta pesquisa discute como essa dinâmica se desenrolou no Brasil e na Argentina, com foco na experiência indígena de participação em espaços de construção de políticas públicas indigenistas, inserida no contexto de intensificação do neoextrativismo. A tese destaca a crescente visibilidade das lutas dos povos indígenas e suas organizações, que se tornaram atores importantes na promoção de seus direitos na América Latina (Bengoa, 2009; Briones, 2015; Thincero e Valverde, 2014). A participação indígena em políticas públicas, tanto em nível nacional quanto local, emergiu como uma estratégia crucial para visibilizar a implementação de direitos. A abordagem comparativa entre Brasil e Argentina analisa tanto a participação política indígena em políticas públicas indigenistas quanto as experiências de resistência e organização dos povos indígenas diante da expansão das fronteiras extrativas, por meio de trabalhos de campo e estudos de caso. As conclusões apontam para um contexto de uma nova “confluência perversa” (Dagnino, 2016) entre participação política e neoextrativismo (Verdum, 2009). Ao passo que participar é um valor e uma prática, ocorrendo dentro e fora do Estado, encontra limites no projeto desenvolvimentista contido no neoextrativismo.