Banca de QUALIFICAÇÃO: RENATA CAMARGO DE ARAÚJO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RENATA CAMARGO DE ARAÚJO
DATA : 08/10/2024
HORA: 14:30
LOCAL: CDS
TÍTULO:

Entremundos: relatos sobre Planos de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na lente da ontologia política


PALAVRAS-CHAVES:

Ontologia política, Gestão Territorial e Ambiental, povos indígenas


PÁGINAS: 29
RESUMO:
A relação entre diferentes sistemas de conhecimento e distintos modos de vida está no cerne de projetos de conservação na Amazônia. (EYNG e LIMA, 2023). Os sistemas de conhecimento indígenas e de comunidades tradicionais trazem compreensões que são complementares ao conhecimento científico, tanto em termos de conteúdo e escopo, quanto em termos de formas de conhecimento e processos de governança. (TENGÖ et al., 2017). Estabelecer espaços nos quais sistemas múltiplos de conhecimento possam florescer é indispensável para a gestão de iniciativas envolvendo povos indígenas e comunidades tradicionais na Amazônia.  A não consolidação de espaços apropriados para que distintos mundos possam se manifestar e se relacionar adequadamente, pode levar a conflitos ontológicos. (EYNG e LIMA, 2023). 
Em minha pesquisa pretendo adentrar a literatura sobre mundos indígenas e suas relações com o ambiente, a fim de refletir sobre como esses mundos têm emergido no campo das políticas públicas. O universo percorrido será o da gestão territorial e ambiental de terras indígenas, por meio de instrumentos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). (BRASIL, 2012). A gestão territorial e ambiental de terras indígenas no Brasil é um “processo extremamente complexo e difícil”, inserido em um entrecruzamento de políticas públicas “cheio de contradições e conflitos” (LITTLE, 2006).
Em minha pesquisa, pretendo aprofundar meu mergulho como pesquisadora são os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), instrumentos de caráter dinâmico que, entre outras coisas, possibilitam negociar e criar canais de diálogo com o Estado, com organizações da sociedade civil, com empresas e outros atores no contexto da gestão de recursos naturais e do ordenamento territorial de terras indígenas. (FUNAI, 2013). No contexto de minha pesquisa, compreendo que humanos e não-humanos (material) são dotados de agência e que se associam uns aos outros em redes, performando diversas realidades. (PICKERING, 1995). Dessa forma, olharei para os PGTAs como documentos dotados de agência, ou seja, documentos que têm a capacidade de agir, de participar de ações e de provocar transformações no mundo a partir das narrativas que traduzem. Meu objetivo geral é identificar como distintas ontologias que emergem nas propostas e ações concretas para o manejo de recursos naturais nos Planos de Gestão se relacionam, a fim de avaliar se os PGTAs são espaço para negociação de mundos múltiplos. Utilizarei a análise temática como metodologia para analisar os textos escritos presentes em dois PGTAs (corpus de análises): Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Povo Yanomami e Plano de Gestão Territorial e Ambiental da TI Menkragnoti (Kayapó).
Analisarei os textos contidos nos documentos selecionados a partir da ótica da ontologia política, referencial teórico que emerge do giro ontológico e pressupõem que mundos distintos estão em constantes “negociações, enredamentos, cruzamentos e interrupções” (DE LA CADENA & BLASER, 2018). O resultado final esperado de minha pesquisa é a elaboração de um relato analítico sobre os temas relevantes trazidos pelos Planos de Gestão à luz da minha pergunta de pesquisa. A tarefa consiste em contar uma história complexa de uma maneira coerente, concisa e lógica, a fim de trazer para o leitor a dimensão do que está explícito e implícito nos documentos dos PGTAs.
Minha pesquisa será realizada em um momento de retomada e fortalecimento da PNGATI, no qual o Congresso Nacional discute a institucionalização da política como lei federal. (MPI, 2024). É também um momento no qual Planos de Gestão existentes estão em fase de revisão e outros planos estão sendo elaborados. (FUNAI, 2023). Dessa forma, esta pesquisa pretende contribuir para qualificar a elaboração e revisão de Planos de Gestão.
Caminhando com a proposta de cosmopolítica de Stengers (2005), não pretendo fazer afirmações sobre o que as coisas são, ou como elas devem ser, mas sim apresentar um convite à reflexão e ao “desacelerar” dos raciocínios, para criar outras possibilidades de sensibilização para os problemas e situações que estamos inseridos enquanto humanidade.

MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2333890 - STEPHANIE CAROLINE NASUTI
Interna - 1745913 - MONICA CELEIDA RABELO NOGUEIRA
Externo ao Programa - 2236695 - ALESSANDRO ROBERTO DE OLIVEIRA - UnB
Notícia cadastrada em: 29/10/2024 11:50
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