ENTRE UNIVERSOS: O SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO NAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA JUVENTUDE SOBRE MUDANÇA DO CLIMA
Mudança do clima, juventude, representações sociais, consumo, bibliometria.
Esta tese investiga a relação entre a juventude e a mudança do clima na perspectiva da Teoria das Representações Sociais (TRS).
Como um dos maiores desafios da atualidade, a mudança do clima coloca a juventude em situação de vulnerabilidade, ao mesmo
tempo em que oferece uma oportunidade para atuar em prol de seu enfrentamento. A tese considera o consumo como um fator
chave, destacando a necessidade de mudanças nos padrões de vida como parte das soluções para a crise climática. O estudo se
pauta pelos dois tipos de pensamento que a TRS reconhece nas sociedades contemporâneas: o universo reificado, no domínio do
conhecimento científico especializado; e o universo consensual, o campo do senso comum, onde as representações sociais se
manifestam. Por isso, ela se orienta e se organiza a partir desses dois universos. Do universo reificado resulta a sua Parte 1 que
tem a bibliometria como método e se dedica a estudar dois campos de estudo: a produção intelectual do consumo no contexto
do desenvolvimento sustentável (Artigo 1); e mudança do clima e juventude (Artigo 2). A Parte 2 tem o universo consensual como
matéria-prima e se consubstancia na análise de duas pesquisas com jovens sobre a percepção da mudança do clima. A primeira,
com dados secundários tem o Brasil como cobertura (Artigo 3); e a segunda, traz dados primários de pesquisa realizada em Brasília
-DF (Artigo 4). Os resultados apontam para o crescente interesse acadêmico pelo tema da mudança do clima no Brasil e no mundo,
que repercute na ampliação de estudos sobre clima e juventude. Rompendo essa barreira acadêmica e transbordando para o
universo consensual, a temática da mudança do clima passou a integrar o senso comum, tornando-se parte das representações
sociais. Os resultados sinalizam, igualmente, para uma falha persistente no processo de tradução da crise climática do universo
científico para o senso comum, simplificado e até distorcido, resultando em percepções fragmentadas ou imprecisas no campo
das representações sociais. Esse processo, no entanto, passa pelo desafio de alertar sobre a importância e a emergência do tema,
sem despertar ansiedade climática, que desponta como um assunto em expansão. Nesse contexto, a tese sublinha a importância
de investimentos em educação climática, com esforços educativos mais eficazes para que a informação sobre a mudança do clima
aconteça de forma adaptada ao público, e sem comprometer sua precisão científica.