Divulgação — agrícola, pecuária, veterinária, cinófila, cinegética e faunística — e valorização da natureza na obra de Eurico Santos (1883-1968)
Eurico Santos; divulgação científica; divulgação agrícola; fauna brasileira; cinofilia; proteção da natureza.
Eurico Santos (1883-1968), polígrafo redator e escritor carioca, nasceu no final do século XIX, às vésperas da Abolição da Escravatura e do Golpe da República. Sua produção intelectual, vasta e diversa, teve início em 1910 em um cenário de efervescências políticas, econômicas e sociais no Brasil, período marcado pelo positivismo republicano, mito do progressoe debates sobre a proteção da natureza. Como jornalista, publicou centenas de artigos em diversos jornais e revistas, sobretudo naquelas dedicadas ao periodismo agrícola. Durante quase 20 anos, foi funcionário do Ministério da Agricultura, associado ao Serviço de Informação Agrícola – S.I.A.. Foi autor de 36 livros e 12 folhetos — destaque à coleção Zoologia Brasílica cujos 11 volumes tornaram-se os mais conhecidos da sua obra, publicados no período 1938-87, os quais somam 2.600 páginas de informações sobre a “vida e costumes” de animais dos diversos grupos zoológicos com ocorrência no Brasil. A partir de uma análise hermenêutica do corpus documental — anotações, certidões, jornais, revistas, livretos, boletins, opúsculos e livros — relacionado à biografia e à produção intelectual de Eurico Santos, foi possível reavivar sua obra e demonstrar como ela contribuiu para a divulgação agrícola, científica, cinófila, faunística e para a valorização da natureza para além do período em que atuou e se destacou como jornalista, editor e escritor. Os escritos de Eurico Santos, em linguagem acessível ao grande público, convidam os leitores a refletir sobre a importância dos avanços técnicos e da ciência no campo da agropecuária, sobre o apreço pela cinofilia e pelos cuidados indispensáveis dirigidos aos cães, bem como dos impactos negativos da caça, sem ordenamento e controle, sobre a harmonia das relações ecológicas, à luz da proteção ambiental. O legado de Eurico Santos, sobretudo a coleção Zoologia Brasílica, ainda inspira a conexão com a natureza que, de modo crescente, impõe a sua resiliência e expõe a fragilidade e interdependência humanas.