Banca de DEFESA: THAMIRES COSTA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : THAMIRES COSTA DA SILVA
DATA : 09/04/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Centro de Desenvolvimento Sustentável - Universidade de Brasília
TÍTULO:

Segurança alimentar em tempos de crise: impactos da pandemia de COVID-19 em comunidades indígenas amazônicas distribuídas ao longo de um gradiente rural-urbano


PALAVRAS-CHAVES:

Povos indígenas, Amazônia, segurança alimentar, soberania alimentar, gradiente rural-urbano, COVID-19, urbanização. 


PÁGINAS: 108
RESUMO:

A Amazônia enfrenta transformações profundas decorrentes de grandes projetos de desenvolvimento, desmatamento e perda de biodiversidade que estão fortemente vinculadas ao avanço do processo de urbanização da região. Essas transformações afetam especialmente os sistemas alimentares dos povos indígenas, mas os impactos desse processo e suas implicações em contextos de crise, como a pandemia de COVID-19, permanecem pouco compreendidos. Este estudo investiga de que maneira a proximidade dos centros urbanos reconfigura os contextos ecológicos, socioculturais e socioeconômicos nos quais operam os sistemas alimentares indígenas e como a intensificação das influências ocidentais sobre esses sistemas moldou os impactos da pandemia na segurança alimentar dessas comunidades. Para isso foi desenvolvido um estudo de caso em cinco comunidades indígenas Ashaninka distribuídas ao longo de um gradiente rural-urbano, na Amazônia peruana. A coleta de dados incluiu principalmente a realização de grupos focais e entrevistas semiestruturadas com base em questionários. Os resultados revelam que, à medida que as comunidades se aproximam de áreas urbanas, há uma transição alimentar progressiva, que reduz a autonomia produtiva e aumenta a dependência das comunidades do mercado, o que se mostrou crítico no contexto da pandemia. Enquanto comunidades mais integradas aos centros urbanos enfrentaram maior insegurança alimentar devido à interrupção das cadeias de suprimento e restrições econômicas, aquelas mais isoladas demonstraram maior resiliência ao manter sistemas alimentares tradicionais baseados na agricultura, caça e pesca. Essas diferenças ressaltam a necessidade de políticas públicas que vão além da proteção da segurança alimentar indígena e do reconhecimento dos sistemas alimentares tradicionais. Os conhecimentos e práticas alimentares indígenas oferecem contribuições relevantes para repensar modelos de produção e consumo sustentáveis, com implicações que ultrapassam o contexto amazônico. Garantir a continuidade desses sistemas não apenas fortalece a autonomia das comunidades indígenas, mas também amplia estratégias para enfrentar desafios globais, como a vulnerabilidade alimentar, a degradação ambiental e a sustentabilidade dos recursos naturais. Incorporar esses saberes em debates mais amplos pode trazer soluções inovadoras para a segurança alimentar e o equilíbrio entre conservação e desenvolvimento.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2314699 - FREDERIC ADELIN GEORGES MERTENS
Interna - 1745913 - MONICA CELEIDA RABELO NOGUEIRA
Externa à Instituição - CARLA MORSELLO
Notícia cadastrada em: 10/04/2025 10:58
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