ANÁLISE DA ADESÃO DA POPULAÇÃO À COLETA SELETIVA NO DISTRITO FEDERAL
PSM; RSU; coleta seletiva; separação na fonte; países em desenvolvimento
Uma gestão eficiente de resíduos sólidos urbanos (RSU) deve dedicar recursos a estratégias que atendam à hierarquia: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento, disposição final. A ineficácia ou insuficiência de ações que contemplem essa ordenação enseja a sobrecarga das alternativas de disposição final de rejeitos, notadamente aterros sanitários, no caso do Brasil e do Distrito Federal (DF). Apesar de os aterros serem alternativas ambientalmente adequadas, o aterramento de materiais que poderiam ser reutilizados ou reciclados compromete a vida útil dessas instalações. A coleta seletiva, nesse contexto, é fundamental para viabilizar a reciclagem e, consequentemente, para desviar os resíduos da disposição final, em prol da hierarquia de ações no manejo de RSU. O engajamento da população na coleta seletiva, por meio da separação na fonte, é um fator-chave para o sucesso da gestão de RSU. Diante disso, compreender os fatores que influenciam esse fenômeno é fundamental para a eficiência do sistema de gestão e gerenciamento de RSU. Em virtude da multiplicidade de atores envolvidos e das interconexões entre eles, esse contexto enquadra-se como um espaço de problema mal-estruturado. Assim, esta pesquisa visa investigar a adesão da população à coleta seletiva no DF a partir da percepção de atores sociais. Para isso, este estudo adotou três estratégias metodológicas. Primeiro, a revisão de literatura, a fim de determinar o estado da arte do uso de métodos de estruturação de problemas (PSMs) no contexto de meio ambiente e sustentabilidade. Segundo, a pesquisa documental, para identificar os mecanismos de incentivo à separação de resíduos sólidos domiciliares (RDO) na fonte no DF. Terceiro, a aplicação do PSM Strategic Options Development Analysis (SODA), a fim de estruturar o fenômeno em questão, contemplando a perspectiva de quatro categorias de atores sociais: poder público, sociedade civil, organizações de catadores, setor empresarial. Os fatores identificados que influenciam o engajamento na coleta seletiva foram agrupados, com base na literatura, em internos (aspectos psicológicos) e externos (instrumentos políticos). Esse último foi subcategorizado em: legal, administrativo, econômico e fiscal, educativo e infraestrutura. A contribuição metodológica desta pesquisa consiste na aplicação do SODA no contexto da segregação na origem a partir de um estudo de caso na América do Sul. Além disso, contribui-se com a estruturação do fenômeno da adesão da população à coleta seletiva, com estratégias para incentivar a participação social nesse sistema e com subsídios a formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão no âmbito da gestão de RSU.