As juventudes amazônidas como novos sujeitos políticos: um olhar da ecologia política sobre o surgimento e a prática política do coletivo Guardiões do Bem-viver
Amazônia; juventudes; sujeitos políticos; ontologias relacionais; prática política ontológica; território
Esta tese se propõe analisar o levante das juventudes agroextrativistas do Baixo Amazonas como novos sujeitos políticos coletivos, e as suas práticas políticas, compreendendo-as como expressões de uma ontologia relacional que desafia as fronteiras modernas entre natureza e cultura e propõe outras formas de habitar e governar o território. A partir da ecologia política latino-americana e dos debates sobre o giro ontológico e epistêmico, buscamos compreender como essas juventudes renovam as estratégias e pautas de atuação dos movimentos sociais mais tradicionais do campo e reencantam a política a partir de uma abordagem que caracterizamos como biocultural. A pesquisa se ancora na trajetória do coletivo de juventudes Guardiões do Bem-Viver, formado por jovens do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, em Santarém, Pará. A atuação do coletivo tem articulado pautas ambientais e culturais na defesa de seus direitos bioculturais. Por meio de observação participante, entrevistas semiestruturadas, análise de redes sociais, antecipação territorial e análise de documentos produzidos pelo coletivo, a tese discute como sua atuação renova as estratégias dos movimentos sociais mais tradicionais, dos quais esses jovens vêm se tornando membros. Argumenta-se que suas práticas políticas têm potencial para reconfigurar o fazer política na Amazônia ao incorporar a dimensão ontológica das relações com o território, os encantados, os rios e a floresta, apontando para uma ética relacional que inspira novas formas de política ambiental.