EM NOME DO MEIO AMBIENTE: O EXTRATIVISMO VERDE E OS TERRITÓRIOS DE CARBONO NA AMAZÔNIA INDÍGENA BRASILEIRA
Amazônia indígena; Extrativismo Verde; REDD+; Territórios de Carbono; Resistência
Essa pesquisa – com o título cercado de ironia, e remetendo às estratégias narrativas de mercado, “Em nome do meio ambiente: o extrativismo verde e os territórios de carbono na Amazônia indígena brasileira” –, examina criticamente como os mecanismos de REDD+ em terras indígenas atuam na lógica de extrativismo verde, levando à financeirização desses territórios. O conceito de “territórios de carbono” é definido como espaços em disputas em que a lógica mercantil, tratando a floresta apenas como um ativo financeiro, ameaça os territórios étnico-culturais a autonomia dos indígenas. A pesquisa parte da pergunta de que maneira a expansão de projetos de REDD+ em terras indígenas reorganiza relações de poder e dinâmicas territoriais, e como esses movimentos são apropriados, contestados ou resistidos pelos povos indígenas? As respostas foram obtidas com base em uma estratégia metodológica, combinando levantamentos de campo, observação direta, entrevistas semiestruturadas – realizados entre os anos de 2022 e 2025, nos estados de Mato Grosso, Pará e Amazonas –, revisão de literatura e análise jurídica e documental de contratos. Os projetos de REDD+ estudados, apresentados como soluções climáticas, favorecem à (re)reprodução de desigualdades socioambientais, introduzindo novas dinâmicas territoriais e avançando sobre estruturas comunitárias. No entanto, ao longo da pesquisa, processos de resistência foram identificados, lideranças e organizações indígenas se apropriam criticamente do debate, estabelecendo protocolos próprios de consulta, exigindo transparência e, em alguns casos, recusando a financeirização e privatização da floresta e de seus territórios.