Laboratórios Vivos de base Universitária como Instrumentos da Política Brasileira de Ciência, Tecnologia e Inovação: Metodologias e Achados do CESU (UFPI) e do Living Lab C (UFG) para o Avanço da Resiliência Climática Urbana
Formação de Capacidades. Adaptação às Mudanças Climáticas. Tecnologias Climáticas. Cocriação. Inovação Aberta. Aprendizagem Baseada em Projetos. Metodologias Ativas de Aprendizagem.
Diante dos desafios crescentes impostos pelas mudanças climáticas às áreas urbanas brasileiras, esta tese examina como o Estado brasileiro tem respondido à agenda de adaptação climática urbana por meio da política de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), com foco no fomento e no apoio institucional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a laboratórios vivos de base universitária (university-based living labs). A pesquisa investiga como esses laboratórios, operando sob arranjos estratégicos distintos, contribuem para a agenda de adaptação urbana e para o fortalecimento da resiliência em cidades do Sul Global. O objetivo central é analisar dois casos emblemáticos: o CESU-Teresina, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), baseado no modelo de Arranjo de Validação Territorial; e o Living Lab C, da Universidade Federal de Goiás (UFG), baseado no modelo de Arranjo de Inovação Tecnológica. A pesquisa examina como essas iniciativas estruturam processos de cocriação que geram, simultaneamente, inovações socioambientais orientadas à resiliência climática urbana e promovem a formação de capacidades qualificadas (UFPI, 2024–2025; UFG, 2022–2025; CARASEK et al., 2022). Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa, com desenho de estudo de casos múltiplos e ponderação equivalente entre os casos (YIN, 2015), combinando análise documental de normativas, programas, relatórios e materiais institucionais do MCTI e dos laboratórios selecionados com entrevistas semiestruturadas junto a gestores e parceiros institucionais. O referencial teórico interdisciplinar articula debates sobre resiliência climática urbana (IPCC, 2022; PELLING, 2011; ANGUELOVSKI; CHU; CARMIN, 2014), inovação e tecnologia social (RODRIGUES; BARBIERI, 2008; CAJAIBA-SANTANA, 2014; DAGNINO, 2014; VON SCHNURBEIN et al., 2023) e direções recentes da política brasileira de CT&I (BRASIL, 2023; 2024; UNESCO, 2024). Ao analisar os modelos de governança e os processos de cocriação desses laboratórios vivos de base universitária, a tese busca contribuir para uma lacuna na literatura sobre os laboratórios vivos de base universitária como instrumentos de política pública para a adaptação climática em contextos de vulnerabilidade acentuada (AMORIM; MENEZES; FERNANDES, 2022). Como principal contribuição esperada, pretende-se sistematizar diretrizes operacionais para o fortalecimento do apoio de política pública a ecossistemas de inovação que integrem desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e formação de capacidades profissionais no setor público brasileiro. Com isso, a pesquisa busca apoiar a capacidade adaptativa das cidades frente aos imperativos climáticos emergentes.