Ética Animista e o Espírito do Desenvolvimento Endógeno: Contribuições do Pensamento de Kazuko Tsurumi (1918-2006) sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente
desenvolvimento endógeno; animismo; modernização japonesa
No presente trabalho discutimos as contribuições do pensamento da socióloga do desenvolvimento Kazuko Tsurumi (1918-2006) para as abordagens pluralistas nos estudos do desenvolvimento, com destaque para a sua teoria do desenvolvimento endógeno, lastreada pela perspectiva animista da natureza. Para a autora, o animismo, enquanto perspectiva alternativa à dicotomia cartesiana que marca a relação entre natureza e sociedade na modernidade capitalista, tem o condão de se tornar uma força de mudança social ao erigir um marco referencial para uma ciência, tecnologia e cultura “menos violentas” (Tsurumi, 2014) e, portanto, capazes de alavancar trajetórias de desenvolvimento que não orientadas peremptoriamente pelo crescimento econômico. A partir da compilação de interpretações de autores japoneses acerca do processo histórico da modernização japonesa, desde a modernização Meiji, em 1868, até a derrota japonesa no final da 2ª Guerra Mundial, e da contextualização dos episódios de contaminação ambiental em Ashio e Minamata à luz de concepções tradicionais japonesas sobre a natureza, o trabalho contextualiza a crítica de Kazuko Tsurumi ao paradigma da modernidade segundo as teorias clássicas de modernização e desenvolvimento, e apresenta os fundamentos teóricos de sua teoria do desenvolvimento endógeno.