Banca de DEFESA: JAQUELINE GIL

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JAQUELINE GIL
DATA : 23/10/2026
HORA: 14:30
LOCAL: híbrida
TÍTULO:

Viajar sem degradar: Pode o turismo crescer e descarbonizar a economia? O caso do Brasil


PALAVRAS-CHAVES:

Mudanças climáticas; Turismo; Descarbonização; Regeneração; Brasil.


PÁGINAS: 187
RESUMO:

As mudanças climáticas impõem à humanidade transformações sistêmicas sem precedentes, e o turismo, setor com projeções de crescer 18.700% entre 1950 e 2050, emerge como caso paradigmático face ao aquecimento global: é simultaneamente agente e vítima do desequilíbrio climático, acelerador e impactado pelo aquecimento global. Responsável por 8,8% das emissões globais de gases de efeito estufa em 2019, com crescimento 30% superior ao da economia global na década de 2009 e 2019, o setor retomou seus níveis prévios de emissões tão logo se recuperou da pandemia de Covid-19, revelando ausência de qualquer trajetória de descarbonização. Diante do prazo do Acordo de Paris, com metas de descarbonização até 2050, esta tese pergunta: de que maneira pode o turismo crescer enquanto se descarboniza? O estudo investiga esse desafio a partir do caso brasileiro, País que reúne uma contradição estrutural rara: biodiversidade com elevada capacidade de sequestro de carbono e forte atratividade turística, liderança histórica na governança climática global, e, ao mesmo tempo, um setor turístico orientado por crescimento volumétrico e políticas públicas desconectadas da agenda climática o colocam entre os quinze maiores emissores do turismo global. Por meio de metodologia qualitativa, exploratória e prospectiva, organizada em artigos científicos independentes, que conformam os capítulos desta tese, a pesquisa avança em quatro frentes originais. Primeiro, projeta quatro cenários futuros para o turismo brasileiro até 2050, identificando que a trajetória mais provável é a continuidade do crescimento volumétrico sem descarbonização, mesmo quando o caminho recomendado é o inverso. Segundo, revela um dado inédito e alarmante: 83,6% das regiões turísticas brasileiras sofrem impacto direto de Eventos Climáticos Extremos, desde 2020, evidenciando que a questão climática não é um risco futuro, mas uma realidade presente que as políticas setoriais, reativas e guiadas por indicadores exclusivamente numéricos, não conseguiram endereçar. Terceiro, demonstra que a descarbonização do turismo permanece uma proposição predominantemente teórica, havendo ceticismo quanto à viabilidade setorial de cumprir metas até 2050, ainda que existam oportunidades concretas, como os biocombustíveis. Quarto, expõe a desintegração persistente entre as agendas climática e turística brasileiras, mesmo quando os caminhos estratégicos de descarbonização já são cientificamente conhecidos. A tese central, de que o turismo pode, em tese, crescer e descarbonizar simultaneamente, é acompanhada de um alerta contundente: o horizonte de 2050 é insuficiente para cumprir essa meta, e mesmo prazos mais longos exigirão transformações sistêmicas de grande envergadura que, até o momento, ainda não foram iniciadas.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 2335984 - CRISTIANE GOMES BARRETO
Externo à Instituição - DAVID LEONARDO BOUCAS DA SILVA - UFMA
Interno (Suplente) - 3322563 - DIEGO PEREIRA LINDOSO
Presidente - ***.344.311-** - ELIMAR PINHEIRO DO NASCIMENTO - PARIS V
Externa à Instituição - MARTA MARIA RÖHE SALOMON - IT
Notícia cadastrada em: 06/10/2026 11:35
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