" Impacto da dieta de ultraprocessados na modulação da resposta à imunoterapia com Anti-PD-1 e Anti-CTLA-4 no câncer de mama triplo-negativo."
Alimentos ultraprocessados, Câncer de mama triplo-negativo, Obesidade, Imunoterapia, Tecido adiposo, Imunometabolismo
O consumo elevado de alimentos ultraprocessados (UPF) tem sido associado ao desenvolvimento de obesidade, alterações metabólicas, inflamação crônica e maior risco de câncer. Esses fatores contribuem para modificações imunometabólicas que podem favorecer a progressão tumoral, especialmente em neoplasias como o câncer de mama. O câncer de mama triplo-negativo (TNBC) destaca-se por seu caráter agressivo e pela limitação de opções terapêuticas. Nesse contexto, a imunoterapia baseada em inibidores de checkpoints imunológicos, como anti-CTLA-4 e anti-PD-1, tem emergido como uma estratégia promissora, embora sua eficácia varie entre indivíduos. Evidências sugerem que o estado metabólico do hospedeiro pode influenciar a resposta a esses tratamentos; no entanto, o impacto de padrões alimentares, particularmente dietas ricas em UPF, sobre a eficácia da imunoterapia ainda não está bem estabelecido. Assim, este estudo teve como objetivo investigar o efeito de uma dieta rica em ultraprocessados sobre a resposta à imunoterapia em um modelo de TNBC murino. Utilizamos camundongos fêmeas Balb/c distribuídos em seis grupos: dieta padrão (SD) ou ultraprocessada (UPF), com ou sem câncer: SD-C e UPF-C (inoculação de células 4T1) e com ou sem tratamento com anti-PD-1 e anti-CTLA-4: SD-T e UPF-T. Realizamos análises ex vivo com o secretoma do tecido adiposo branco para avaliar o papel endócrino desses tecidos sobre células 4T1. Animais alimentados com dieta UPF apresentaram maior ganho de peso, sem alteração no consumo alimentar. Observou-se aumento de comportamento ansioso nos grupos UPF e com câncer, sem prejuízo locomotor. Prejuízo cognitivo foi identificado apenas no grupo UPFC. O colesterol total aumentou nos grupos UPF-C e UPF-T, enquanto creatinina aumentou no grupo UPF-T. Houve aumento da inflamação sistêmica nos grupos com câncer, revertida pelo tratamento. A dieta UPF induziu esteatose hepática, e o câncer promoveu infiltração tumoral hepática, reduzida no grupo UPF-T. Os grupos UPF apresentaram alterações intestinais sugestivas de infiltrado inflamatório e redução do muco. A progressão tumoral foi mais acentuada no grupo UPF. O impacto da dieta ocorre na progressão tumoral e no microambiente, mas não necessariamente na resposta direta à imunoterapia que apresentou resposta robusta na regressão tumoral em ambos os grupos. Observouse aumento da área de adipócitos no tecido adiposo branco dos grupos UPF, além de fenótipo de “whitening” no tecido adiposo marrom. Adicionalmente, análises ex vivo demonstraram que o secretoma do tecido adiposo dos grupos UPF e com câncer aumentou a proliferação de células 4T1, sem impactar de forma relevante o ciclo celular.