Briosfera Ártica: acessando biodiversidade escondida em tapetes de musgo via DNA Metabarcoding
Briosfera, DNA ambiental, ecossistema
Com o aquecimento acelerado e o rápido avanço antrópico no Ártico, o ecossistema da região tem passado por mudanças drásticas, que podem ter consequências não apenas em escala local, mas também em escala global. A briosfera, composta por tecido vivo e morto dos musgos, bem como os organismos vivendo no tapete de musgo, é um ecossistema complexo, muitas vezes ignorado. Assim, neste trabalho foi investigada a composição da comunidade da briosfera em dois pontos com diferentes intensidades de fluxo de pessoas em Svalbard. Longyearbyen, o primeiro ponto de coleta, é uma cidade com grande quantidade de fluxo turístico, enquanto o segundo ponto, Diabasodden, é isolado e apenas pode ser acessado por transporte aquático. Foram coletadas amostras de Sanionia uncinata, que foram processadas utilizando a técnica de DNA Metabarcoding para a extração de DNA ambiental. Cinco reinos foram analisados: Chromista, Fungi, Metazoa, Protista e Viridiplantae. Foram encontradas 1023 ASVs (amplicon sequence variants), das quais apenas 148 ocorreram em ambos os pontos. Em Diabasodden, Viridiplantae foi o reino mais abundante, enquanto Fungi foi o reino mais rico. Em Longyearbyen Fungi também foi o reino mais rico, enquanto Metazoa foi o mais abundante. Foram encontradas 23 espécies exóticas em Diabasodden e 46 em Longyearbyen, oriundas de todas as regiões biogeográficas. Além disso, 384 ASVs não puderam ser identificadas a nível de reino, sendo classificadas como desconhecidas. A diferença entre as comunidades e a maior ocorrência de espécies exóticas em Longyearbyen indicam maior impacto na briosfera próxima à cidade, sendo provável que o impacto seja de origem antrópica. Por fim, o alto número de ASVs desconhecidas é alarmante, levantando a necessidade de futuras investigações sobre os organismos da região em ordem de evitar possíveis patógenos e proteger a segurança alimentar e de saúde da população.