"Efeitos do déficit hídrico em Schizachyrium sanguineum (capim-roxo), uma gramínea nativa do Cerrado."
Cerrado; Déficit hídrico; Ecofisiologia; Resiliência; Schizachyrium sanguineum.
O Cerrado brasileiro apresenta forte sazonalidade hídrica, impondo severas restrições ao crescimento vegetal e selecionando espécies com elevada plasticidade ecofisiológica. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos do déficit hídrico prolongado sobre o crescimento, a alocação de biomassa e o metabolismo de carboidratos em Schizachyrium sanguineum (capim-roxo), uma gramínea perene nativa do Cerrado, visando compreender seus mecanismos de tolerância à seca. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, com dois tratamentos: controle (irrigação contínua) por 12 meses e déficit hídrico, no qual as plantas foram expostas a seis meses de irrigação, depois a 4 meses (120 dias) de suspensão da irrigação, seguido por um período de reidratação de dois meses. Foram avaliados parâmetros morfológicos (altura, número de folhas e perfilhos), biomassa seca da parte aérea e das raízes, arquitetura radicular e teores de açúcares solúveis totais e amido ao longo de 12 meses. O déficit hídrico reduziu significativamente o crescimento vegetativo, com diminuição da elongação caulinar, da produção de folhas e perfilhos, além de intensificação da senescência foliar. Em contraste, observou-se aumento relativo da biomassa radicular, acompanhado por alterações da área da superfície radicular indicando priorização do sistema subterrâneo. Metabolicamente, plantas sob estresse apresentaram acúmulo de açúcares solúveis, especialmente nas raízes, concomitante à redução dos teores de amido, sugerindo ajuste osmótico e mobilização de reservas. Após a reidratação, S. sanguineum demonstrou elevada capacidade de recuperação, com retomada do crescimento e reorganização funcional do sistema radicular. Os resultados indicam que a espécie adota uma estratégia integrada de tolerância à seca, baseada na supressão do crescimento aéreo, redistribuição de biomassa, ajuste metabólico e proteção dos meristemas. Essas características conferem alta resiliência à espécie e reforçam seu potencial para uso em programas de restauração ecológica e como modelo funcional para estudos de adaptação de gramíneas a ambientes sujeitos à intensificação do estresse hídrico.