“Estrutura espaço-temporal dos encalhes de tartarugas marinhas revela hotspots costeiros no Sudeste do Brasil”
encalhes; tartarugas; espaço-temporal; hotspots; conservação.
Os encalhes de tartarugas marinhas podem revelar padrões de ocorrência e mortalidade, mas sua distribuição pode resultar da interação entre processos ecológicos, oceanográficos e antrópicos. Identificar a estrutura espaçotemporal desses eventos é fundamental para direcionar ações prioritárias para monitoramento e conservação. Neste estudo, avaliamos os padrões de encalhes de tartarugas marinhas na Bacia de Santos, no Sudeste e Sul do Brasil, utilizando 58 897 registros obtidos entre agosto de 2015 e dezembro de 2024. Integramos análises temporais, processos pontuais espaciais e modelagem espaço-temporal em uma estrutura estatística bayesiana, incorporando modelos de Cox Log-Gaussiano e campos espaciais representados pela abordagem SPDE-INLA. Avaliamos ainda se características geomorfológicas, condições oceanográficas, atividade pesqueira, tráfego de embarcações e ocupação humana melhoravam a capacidade preditiva dos modelos. Os encalhes apresentaram forte estrutura temporal, caracterizada por sazonalidade recorrente, com maior ocorrência no inverno e na primavera austral e pico em outubro, além de uma tendência interanual não monotônica. Espacialmente, os encalhes foram fortemente agregados, com hotspots persistentes e dependência espacial em uma escala de aproximadamente 33 km. A inclusão de variáveis ambientais e antrópicas avaliadas não produziu melhoria consistente na capacidade preditiva após o controle da estrutura espaço-temporal. Modelos espécie-específicos apresentaram melhor desempenho para Caretta caretta e Lepidochelys olivacea, indicando diferenças a estrutura espacial dos encalhes entre espécies. A persistência dos padrões espaço-temporais demonstra que dados de monitoramento de longo prazo podem revelar estruturas espaciais relevantes para a conservação, permitindo direcionar esforços de monitoramento, investigar causas de mortalidade e priorizar ações de conservação em áreas costeiras críticas.