MULHERES SEM CORPO, MULHERES SEM TERRITÓRIO: TERRITORIALIDADE DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES INDÍGENAS NO BRASIL
Mulheres indígenas; territorialidade da violência; terras indígenas; conflitos fundiários.
Esta pesquisa analisa a violência contra meninas e mulheres indígenas no Brasil como expressão da disputa territorial, da colonialidade e da expansão capitalista. A invasão das terras indígenas e a exploração dos corpos das mulheres integram um mesmo projeto histórico de dominação, cuja permanência atravessa a colonização, a Ditadura Militar, a redemocratização e alcança os governos recentes. Ancorada na Geografia Agrária, na perspectiva dos movimentos socioterritoriais da REDE DATALUTA, no materialismo histórico-dialético e na interseccionalidade entre classe, raça-etnia e gênero, a pesquisa articula revisão bibliográfica e a construção de um banco de dados georreferenciado inédito sobre violência contra mulheres indígenas, elaborado a partir da sistematização de notícias publicadas entre 2018 e 2025. Essa estratégia metodológica enfrenta a invisibilização produzida pelas bases oficiais, que não incorporam o território como categoria analítica nem evidenciam as relações entre violência baseada em gênero, conflitos fundiários e expropriação territorial. A análise de 208 casos demonstra que o corpo das mulheres indígenas constitui um território em disputa, sobre o qual incidem as mesmas dinâmicas de espoliação que avançam sobre as terras indígenas.