TERRITORIALIZAÇÃO DO MERCADO DE ORGÂNICOS NO DISTRITO FEDERAL: Dos supermercados aos circuitos curtos agroecológicos
Orgânicos; Agroecologia; Sistemas Agroalimentares; Território
O presente trabalho discute o mercado de orgânicos, buscando distinguir, a partir de uma análise territorial
e geográfica, os alimentos orgânicos convencionalizados e os alimentos orgânicos e agroecológicos comercializados
em circuitos curtos, sob a tese de que cada um deles responde a uma territorialização distinta. Por meio de revisão
teórica, análise documental e dados secundários já foi possível identificar que os alimentos orgânicos convencionais e seus circuitos respondem a um uso corporativo do território. A agroindústria e o setor do varejo mobilizam recursos, atores e dispositivos de modo a ofertar uma mercadoria de qualidade diferenciada para um público consumidor que busca mitigar os riscos socioambientais contemporâneos por meio da aquisição de produtos percebidos como mais saudáveis. Já os alimentos orgânicos e agroecológicos comercializados via circuitos curtos são fruto de uma estratégia territorializada de reapropriação do espaço, na qual os diversos atores implicados no sistema agroalimentar buscam novas estratégias para aproximar produtor e consumidor, ao mesmo tempo em que defendem uma nova racionalidade, voltada para a solidariedade, proximidade e reconexão com a terra e a identidade local. Essas estratégias são entendidas aqui como um curto-circuito que propõe novos caminhos do alimento até à mesa, contribuindo para a segurança e soberania alimentar dos atores locais. A distinção entre os alimentos orgânicos convencionais e orgânicos e agroecológicos não convencionais também permitiu identificar os primeiros a partir do conceito de alimento-mercadoria, termo inicialmente pensado para descrever os produtos do agronegócio, enquanto os últimos foram reconhecidos, a partir de proposição teórica, como alimento-comida, ou seja, expressam uma territorialidade que reconecta os sujeitos entre si e com a terra. O recorte empírico escolhido para esta investigação é o Distrito Federal, considerando o seu mercado de orgânicos bem consolidado e dinâmico. A pesquisa empírica em andamento será aprofundada após o exame de qualificação a partir de procedimentos mistos, como confecção de mapas, aplicação de questionários e entrevistas com atores-chave, mas os resultados parciais já sugerem que o mercado de orgânicos não é homogêneo, sendo atravessado por racionalidades territoriais distintas, conflitantes e contraditórias.