A LÍNGUA DO BRASIL E OS BRASILEIROS: PERCEPÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO
Língua do Brasil. Povo brasileiro. Identidade. Ancestralidade. Educação básica
O povo brasileiro e a língua do Brasil têm, naturalmente, muito em comum, tendo em vista que ambos refletem a identidade nacional. Sob essa ótica, com o objetivo de evidenciar aspectos da história identitária e linguística brasileira, esta dissertação, em um primeiro momento, apresenta uma jornada sócio-histórica e sociolinguística das três principais matrizes formadoras do Brasil: indígena, europeia e africana. Para apresentar cada uma dessas matrizes, foram utilizadas como principais referências as obras de Ribeiro (1995), Holanda (1995) e Ramos (1946). Na exposição do contato linguístico entre essas, recorreu-se, sobretudo, a Raso; Mello; Altenhofen (2011), Aryon Rodrigues (1986; 1996), Mattos e Silva (2004), Houaiss (1992; 2012), Melatti (1972; 2007) e Lucchesi (2015). Em um segundo momento, buscou-se analisar as percepções de estudantes da 2ª e 3ª séries do ensino médio, de uma escola pública e de uma escola particular do Distrito Federal (DF), acerca de sua identidade como povo brasileiro, de seus conhecimentos sobre nossos ancestrais iniciais – matrizes indígena, europeia e africana – e da língua portuguesa do Brasil. Para tal análise, estabeleceu-se uma aproximação e promoveu-se uma interface entre teorias correlacionadas da Linguística – a saber, a Sociolinguística e a Análise do Discurso – com ênfase nos estudos sociolinguísticos de percepção (Oushiro, 2021; Freitag, 2016) e na análise discursiva (Fairclough, 1992; 2003), tendo em vista “a Sociolinguística como rico espaço para a existência de iniciativas e empreendimentos de pesquisas inovadoras” (Mollica; Junior, 2016, p. 11). Os resultados ratificam que as vivências cotidianas, a miscigenação e a língua brasileira constituem indicadores relevantes da identidade nacional entre os discentes, embora suas percepções ainda revelem a permanência de preconceitos e estereótipos relacionados ao povo brasileiro e às matrizes ancestrais. Conclui-se, portanto, a comprovação da necessidade de uma transformação discursiva identitária e decolonizadora, tendo como locus a educação básica, especialmente as aulas de Língua Portuguesa.