Neutro de Ontem e Neutro de Hoje: implicações sociolinguísticas, sociopolíticas e socioeconômicas
linguagem neutra; linguística gerativista; sociolinguística; poder simbólico; inteligibilidade.
Este trabalho analisa as implicações sociolinguísticas, sociopolíticas e socioeconômicas da linguagem neutra no português brasileiro, com base nos pressupostos da linguística gerativista e da linguística histórica. Parte-se da hipótese de que a linguagem neutra, embora apresentada como mecanismo de inclusão e visibilidade de identidades não binárias, constitui uma intervenção linguística artificial e normativa que contraria o princípio de evolução orgânica das línguas e pode ampliar desigualdades sociais e educacionais. Fundamentado em autores como Chomsky, Haugen, Bourdieu, Faraco, Possenti e Freitag, o estudo discute a relação entre estrutura linguística, poder simbólico e identidade social. Argumenta-se que transformações duradouras na língua decorrem do uso espontâneo e das interações entre comunidades de fala, não de imposições ideológicas externas. A pesquisa demonstra que as alterações morfossintáticas propostas pela linguagem neutra comprometem a inteligibilidade e dificultam a tradução em sistemas como a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o Braille, gerando barreiras comunicacionais e ampliando desigualdades de acesso. Do ponto de vista socioeconômico, tais mudanças implicam custos elevados e agravam a exclusão linguística das camadas populares. Conclui-se que a inclusão linguística deve ocorrer por meio da ressignificação discursiva e lexical, locus em que se manifestam as marcas de poder e exclusão, e não pela modificação artificial da estrutura morfológica da língua.