O tecer da autoria nas encruzilhadas do contemporâneo: Reflexividade, Decolonialidade e Escrita na era da Inteligência Artificial
Autoria Criativa; Inteligência Artificial Generativa; Reflexividade; Decolonialidade; Análise de Discurso Crítica.
Esta pesquisa investiga a reconfiguração da autoria e das práticas de escrita na contemporaneidade diante da emergência das inteligências artificiais (IA) generativas. O estudo busca compreender como a mediação algorítmica impacta a agência do sujeito e de que forma a reflexividade e a decolonialidade podem operar como dispositivos de resistência à padronização discursiva. Fundamentada nos Estudos Críticos de Discurso, a discussão articula a trimembração dos gestos da Escrita Autoral (Dias, 2021) - impulso, intuição e pulsação- com os três ‘momentos’ da reflexividade propostos por Margaret Archer (2004, 2007, 2012) - preocupações últimas, conversação interna e deliberações reflexivas - e com os giros decoloniais preconizados por Maldonado-Torres (2007) - epistêmico, estético e ativista. Metodologicamente, o trabalho assume uma natureza qualitativa de cunho (auto)etnográfico, analisando um corpus composto por sucessivas versões de textos produzidos por estudantes (V1 inicial, V2 mediada por IA e V3 reescrita final), além de dados de um questionário aplicado a professores e escritores. Os resultados preliminares indicam que, embora a IA otimize a eficiência técnica, ela desperta ambivalência subjetiva e o risco de apagamento da singularidade autoral, demandando uma pedagogia da escrita pautada no letramento crítico e na soberania intelectual do sujeito.