Banca de QUALIFICAÇÃO: ROBERT MARCOS MOREIRA DOS SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROBERT MARCOS MOREIRA DOS SANTOS
DATA : 06/10/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Plataforma Teams
TÍTULO:

Entre a polidez e a impolidez: ações pedagógicas no combate à violência linguístico-discursiva no ensino de Espanhol como Língua Adicional para crianças


PALAVRAS-CHAVES:

Competência interacional; (Im)polidez; Violência linguísticodiscursiva; Ensino de espanhol como Língua Adicional; Interação infantil.


PÁGINAS: 311
RESUMO:

Esta pesquisa problematiza a relação entre linguagem, interação e violência a partir de situações concretas de ensino de espanhol como Língua Adicional (LA) para crianças, investigando de que modo recursos linguístico-discursivos mobilizados nas interações participam da construção, tensionamento, ruptura e reparação das relações entre os interlocutores. Parte-se da compreensão de que a interação infantil não constitui espaço neutro: ao falar, interromper, recusar, provocar, brincar, silenciar, discordar, desculpar-se ou defender-se, as crianças realizam ações que produzem efeitos sobre o outro e sobre a relação. Assim, uma mesma forma linguística pode assumir valores distintos conforme os participantes, os enquadres, as expectativas, as relações de poder e os efeitos produzidos na interação. O estudo é orientado pela questão: de que forma a aplicação de estratégias linguístico-discursivas, baseadas nos princípios da (im)polidez, pode auxiliar nas interações entre crianças no contexto de ensino de espanhol como Língua Adicional, contribuindo para a redução da violência simbólica e para o fortalecimento das habilidades interacionais? O objetivo geral consiste em investigar quais recursos linguístico-discursivos as crianças mobilizam em suas interações e como podem desencadear ou intensificar situações de violência, mas também produzir movimentos de negociação, resistência, mitigação, reparação e reorganização das relações, subsidiando ações pedagógicas voltadas ao fortalecimento da competência interacional. Busca-se, ainda, compreender o papel da linguagem na constituição das relações sociais, identificar estratégias para a mitigação da violência simbólica e analisar empiricamente como as interações infantis se constituem e produzem sentidos na aprendizagem de LA. A fundamentação teórica articula abordagens críticas e decoloniais, sociocognitivas, dialógicas e enunciativas, multimodais e sociointeracionais, compreendendo a competência interacional como capacidade situada de participar de práticas sociais, interpretar ações, reconhecer expectativas, posicionar-se, negociar sentidos e administrar desacordos, em interface com as competências linguística, comunicativa, pragmática e emocional. Os estudos da (im)polidez são revisitados a partir de suas três ondas, evidenciando seu deslocamento de perspectivas normativas para uma compreensão emergente, relacional, avaliativa e situada. Nesse enquadramento, questionam-se fronteiras entre polidez, impolidez, descortesia, brincadeira, provocação e violência, entendendo que seus sentidos são negociados no curso da interação. A violência linguístico-discursiva na infância é, assim, compreendida em sua dimensão relacional e simbólica, considerando práticas que podem produzir desqualificação, constrangimento, silenciamento, exclusão ou ameaça, bem como movimentos de contestação e transformação desses efeitos. Metodologicamente, a pesquisa assume abordagem qualitativa, de orientação etnográfica, acompanhando interações em contexto de ensino de espanhol para crianças e articulando observação, instrumentos, geração e análise de dados, visionamento das interações e procedimentos éticos. Ao aproximar competência interacional, (im)polidez e violência linguístico-discursiva, a investigação desloca o ensino de espanhol de uma perspectiva prescritiva de “falar corretamente” ou “ser polido” para uma perspectiva formativa, na qual aprender uma língua implica também aprender a participar das relações, reconhecer a alteridade, negociar conflitos, estabelecer limites e refletir sobre os efeitos do dizer. Desse modo, o ensino de espanhol como LA pode constituir-se como espaço de aprendizagem linguística, interacional e relacional, no qual a linguagem seja compreendida não apenas como meio de comunicação, mas como prática capaz de produzir cuidado, reconhecimento e transformação das relações.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ANA LUCIA TINOCO CABRAL - PUC - SP
Externa ao Programa - 1286534 - JANAINA SOARES DE OLIVEIRA ALVES - nullPresidente - 1209022 - RODRIGO ALBUQUERQUE PEREIRA
Notícia cadastrada em: 10/09/2026 14:21
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