Políticas Linguísticas: seleção para cursos de mestrado na área de Letras/Linguística
política linguística; línguas estrangeiras; multilinguismo; ciência; ensino superior
A presente pesquisa tem por objetivos a análise do nível de multilinguismo dos cursos de mestrado na área de avaliação da Capes Letras/Linguística, analisar o perfil dos candidatos, em termos de multilinguismo, com base na escolha da LE na seleção e o que determina a escolha de cada LE. A metodologia adotada para este estudo foi a mista. E seu corpus é composto por análise documental de editais dos cursos de Letras/Linguística dos anos de 2018-2021, análise de questionários aplicados a mestres dos cursos pesquisados e das dissertações desses respondentes e de outras dissertações selecionadas de maneira aleatória. A fundamentação teórica apoia-se nos conceitos de política linguística (SPOLSKY, 2016; CALVET, 2007; MCCARTY, 2011), além de discussões sobre a hegemonia da língua inglesa sobre outras línguas (HAMEL, 2013; ARNOUX, 2019; RAJAGOPALAN, 2003). Os resultados apontam que os processos seletivos de seleção para mestrado em Letras/Linguística são multilíngues ao permitirem mais de uma língua estrangeira como língua de proficiência. Há, porém, notável privilégio da língua inglesa em detrimento das outras nesses processos, sendo esta presente em mais de 80% dos editais. O destaque do inglês se deu também no uso real da língua, quando analisamos as bibliografias das dissertações de mestres em Letras/Linguística e percebemos que mesmo comprovando proficiência em uma LE que não o inglês, a quantidade de citação em inglês era maior do que na língua de proficiência. Finalmente, constatamos a necessidade de se implementar uma política linguística universitária multilíngue que dê conta da diversidade linguística envolvida no processo de seleção e durante o próprio mestrado.