Banca de QUALIFICAÇÃO: Arthur Britta Scandelari

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Arthur Britta Scandelari
DATA : 20/12/2024
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 37 IL
TÍTULO:

O causado (causee) nas construções causativas de verbos transitivos em línguas indígenas brasileiras


PALAVRAS-CHAVES:

Causado. Causativas. Verbos transitivos. Línguas indígenas brasileiras. Tipologia


PÁGINAS: 159
RESUMO:

Construções causativas são geralmente descritas pela relação entre dois eventos conceitualmente dependentes, sendo um deles um predicado de causa e o outro um predicado de efeito (Kemmer; Verhagen, 1994). A inserção de um argumento adicional, o causador, na posição de sujeito, altera as relações gramaticais da construção original e implica a demoção do antigo sujeito para uma nova função sintática, a qual varia de acordo com a língua. Apesar dessa variação, existe uma associação regular entre as relações gramaticais e os papéis semânticos e pragmáticos expressos. As marcas morfológicas acusativa, dativa e instrumental, por exemplo, podem associar-se à semântica de ação direta ou indireta, intencional ou acidental do causador, e à semântica dos graus de controle, volição ou afetação do causado (cf. Comrie, 1989). Essa combinação é tipologicamente mais estável e previsível em causativas formadas a partir de verbos intransitivos, mas pode variar naquelas oriundas de transitivos (Dixon, 2000). O objetivo desta pesquisa é identificar o que as línguas indígenas brasileiras permitem afirmar sobre o causado em face da ampla literatura teórica. Iniciaremos a pesquisa por línguas da família tupí-guaraní, expandiremos para o tronco tupí e continuaremos com línguas de outras famílias. Assim, buscamos responder às seguintes perguntas: Tipologicamente, o que já foi identificado sobre o causado? Existem estudos sobre causativas de verbos transitivos simples ou de ditransitivos? Qual morfologia recebe e qual função sintática exerce o causado (antigo sujeito) de verbos transitivos causativizados? E o que ocorre com o paciente? Em síntese, o desafio é saber se o causado continua sendo um argumento ou não e de que tipo, uma vez que precisa se adequar à valência do novo predicado. Considerando que causativas envolvem não apenas morfologia e sintaxe, mas também semântica, pragmática e discurso, adotamos perspectiva funcional-tipológica para tratar da questão, na linha de Givón (1983, 1984), Kozinsky e Polinsky (1993) e Kemmer e Verhagen (1994). Pragmaticamente, por exemplo, já se identificou que o causado, por ser o antigo S ou A da oração original, tende a ser a informação dada ou conhecida do enunciado, não o foco. Logo, nos perguntamos em que medida isso estaria presente nas línguas indígenas brasileiras. Como tópico na oração inicial, o causado tende a não ser citado, podendo ser suprimido sem prejuízo à informação, pois faz parte das informações compartilhadas entre os falantes. Gera-se, então, uma falsa impressão de que seria um adjunto, embora o que realmente alguns testes sintáticos acabam por mostrar são elementos pragmáticos, não sintáticos.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1549321 - DIONEY MOREIRA GOMES
Externo à Instituição - SIDNEY DA SILVA FACUNDES - UFPA
Interno - 2153208 - THIAGO COSTA CHACON
Externa à Instituição - ZARINA ESTRADA-FERNÁNDEZ - UNISON
Notícia cadastrada em: 19/12/2024 12:45
SIGAA | Secretaria de Tecnologia da Informação - STI - (61) 3107-0102 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - app22.sigaa22