De candanga a brasiliense: traçados sociohistóricos e traços sociolinguísticos da Variedade de Brasília
Sociolinguística histórica; Brasília; Linguística do contato.
Este trabalho explora a constituição linguística do espaço do Distrito Federal, com enfoque nas Regiões Administrativas do Plano Piloto e de Ceilândia. Sob a égide da Sociolinguística histórica, tem por objetivo a coleta de dados linguísticos de diferentes gerações de ocupantes do DF, observação da percepção do que pode construir um falar regional – ou identidade linguística – desse espaço e levantamento bibliográfico de pesquisas que versem sobre ele.
As bibliografias sobre as quais se apoia esta dissertação são Oushiro (2021), Resende (1985), Paviani (1991), Araujo (2017), Labov (1994) e Faraco (1991) e são usadas para observar a constituição sociolinguística da capital do país a partir da migração em massa impulsionada pela sua construção, nos anos 1950. Observando, também, o contato linguístico, a pesquisa analisa como os diferentes falares trazidos por trabalhadores de todas as regiões do país convergiram para criar características linguísticas particulares no Distrito Federal. Além disso, discute como essas dinâmicas moldaram uma identidade que pode ser chamada de “candanga” até sua possível transmutação em “brasiliense”.
A pesquisa, ao articular elementos sociais, históricos e linguísticos objetiva apanhar dados que forneçam subsídios para estudos que tencionem compreender a formação de uma identidade linguística em um espaço marcado por desigualdades sociais, lutas por direitos, deslocamentos populacionais e exclusão dos trabalhadores pioneiros do centro urbano – movimentos que emulam e se assemelham, em escala reduzida, à constituição da própria nação brasileira.