ENTRE ENFRAQUECIMENTOS E RECONFIGURAÇÕES: POLÍTICA E PLANEJAMENTO LINGUÍSTICO NOS CURSOS DE LICENCIATURA EM ESPANHOL DOS INSTITUTOS FEDERAIS APÓS A REVOGAÇÃO DA LEI Nº 11.161/2005
língua espanhola; política linguística; revogação da Lei do Espanhol; formação de professores; Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia..
A presente pesquisa investiga os impactos da revogação da Lei nº 11.161/2005, que estabelecia a obrigatoriedade de oferta da língua espanhola no Ensino Médio, sobre os cursos de licenciatura em espanhol dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. A tese analisa como se configuram, nessas instituições, processos de planejamento linguístico, incluindo a organização curricular e estratégias voltadas à manutenção da formação docente, diante do enfraquecimento da política linguística nacional para o espanhol. O estudo foi conduzido com base em uma abordagem qualitativa, por meio de estudo de caso múltiplo. As entrevistas e visitas envolveram os sete campi que oferecem licenciaturas em espanhol, garantindo a representação de todas as regiões do país. Foram realizadas entrevistas com docentes, tendo o coordenador do curso como ponto de contato inicial, que pôde incluir outros docentes na pesquisa a seu critério. Além disso, foram analisados Projetos Pedagógicos de Curso, dados da Plataforma Nilo Peçanha, diário de campo e informações sobre a situação legislativa nos estados, o que complementou a compreensão de incentivos e normativas locais que impactam a oferta e a organização do ensino de espanhol. A análise articulou três dimensões: ingresso, percurso e saída dos cursos, permitindo compreender tanto os efeitos percebidos quanto as respostas institucionais diante do enfraquecimento da política nacional. Os resultados indicam que a revogação da obrigatoriedade da oferta de espanhol afetou o perfil e o acesso dos estudantes, exigiu reorganizações curriculares e mobilizou estratégias institucionais incluindo movimentos de resistência interna que funcionam, na prática, como formas de política linguística a fim de manter a formação docente e a inserção profissional dos egressos. A pesquisa contribui para a compreensão das relações entre política linguística, planejamento linguístico e respostas institucionais, evidenciando como os cursos de licenciatura em espanhol se reconfiguram para garantir a formação de professores diante de enfraquecimentos e mudanças normativas.