ENTRE A NORMA E A NARRATIVA, ENTRE A RESOLUÇÃO E A EXPERIÊNCIA, ENTRE A INSTITUIÇÃO E O CORPO QUE CUIDA: uma análise crítica do discurso sobre mães universitárias e permanência acadêmica
maternidade universitária; Análise de Discurso Crítica; permanência materna; políticas institucionais; Coletivo de Mães da UnB.
Esta dissertação investiga, à luz da Teoria Social do Discurso e da Análise de Discurso Crítica, os modos pelos quais a maternidade universitária é discursivamente construída, regulada e disputada em documentos institucionais brasileiros, tomando a Política Materna e Parental da Universidade de Brasília como corpus central. O trabalho articula três camadas analíticas: a norma, compreendida como o conjunto de resoluções, leis, portarias e políticas que nomeiam, administram ou silenciam a maternidade; a experiência situada da pesquisadora-mãe, mobilizada por meio do diário da pesquisadora-mãe como dispositivo de reflexividade crítica; e a disputa político-discursiva produzida por coletivos de mães universitárias, especialmente o Coletivo de Mães da UnB. Metodologicamente, a pesquisa combina análise documental, levantamento lexical-comparativo e interpretação crítica do significado representacional, observando como diferentes universidades produzem distintas imagens institucionais da mãe: sujeito da assistência, da produtividade, da matrícula, da permanência ou da política maternoparental ampla. A leitura do Atlas da Permanência Materna no Ensino Superior Federal Brasileiro permite ampliar a discussão para uma conjuntura nacional marcada por avanços recentes, desigualdades regionais, baixa extensão de políticas à pós-graduação e insuficiência de infraestrutura de cuidado. A comparação entre UnB e UFOPA aprofunda o embate entre reconhecimento e administrabilidade, evidenciando que a institucionalização da maternidade é conquista política, mas também campo de disputa sobre quem é nomeada, que cuidado é reconhecido e quais maternidades permanecem ainda parcialmente apagadas. Conclui-se que a permanência materna não pode ser reduzida a vínculo acadêmico, prazo ou benefício: ela exige rede, infraestrutura, dados, escuta, corresponsabilização institucional e transformação da própria ideia de universidade.