Das cartas sobre o preconceito linguístico no ambiente escolar às propostas de intervenção em escolas públicas do DF: novos capitães da areia?
Variação linguística. Preconceito linguístico. Sociolinguística Educacional. Ensino médio. Língua portuguesa.
A presente pesquisa é um estudo sobre a variação linguística e o preconceito linguístico no ensino médio em escolas públicas brasilienses. Tem como objetivo promover, em parceria com a comunidade envolvida, a conscientização acerca da variação linguística e do preconceito linguístico no âmbito escolar e refletir sobre a necessidade da realização de práticas escolares que visem desconstruir o preconceito linguístico. Trata-se de uma pesquisa-ação cuja motivação foi a pesquisa realizada em 2020 no mestrado acadêmico em Linguística, na Universidade de Brasília, sobre a variação linguística e o ensino de tal fenômeno nas aulas de Língua Portuguesa do ensino médio em uma escola pública de Ceilândia – DF, na qual constatamos a incidência do preconceito linguístico em relação a algumas variedades linguísticas existentes no ambiente escolar. Esta pesquisa ampara-se na Sociolinguística, mais especificamente no ramo da Sociolinguística Educacional, apoiando-se nos trabalhos de Araujo (2020), Bagno (2002; 2017), Bortoni-Ricardo (2004; 2008), BNCC (2017; 2018), PCNEM (2000), Scherre (2005; 2019), Silva (2002), Travaglia (2008) e outros, que nos auxiliam nas nossas reflexões sobre o tema em estudo. Assim, faremos um breve percurso sobre os gêneros textuais, o gênero carta e o tipo carta pessoal, a variação linguística e o preconceito linguístico no ambiente escolar e o tratamento dado a essa temática nos documentos oficiais criados para nortearem as equipes pedagógicas a elaborarem seus currículos escolares, tais como: a BNCC e os PCNEM, bem como enfocaremos a relevância da formação do professor de Língua Portuguesa dentro da perspectiva da Sociolinguística Educacional. A metodologia adotada é de base qualitativa interpretativista apoiada em métodos da etnografia para a geração dos dados utilizando como técnicas a observação participante, anotações de campo, realização de cursos de formação para professores de Língua Portuguesa, realização de oficinas com alunos do ensino médio, apresentação de palestras para alunos do ensino fundamental e demais membros da comunidade escolar. Por meio das intervenções realizadas ao longo da pesquisa pretendemos fomentar mudanças de posturas em todos os membros envolvidos na comunidade escolar, despertar o interesse pelo conhecimento efetivo da nossa língua materna e promover a conscientização de que a variação linguística é algo natural que reflete a heterogeneidade sociocultural dos seus falantes.