Preposition stranding no Português: precisamos falar sobre
Preposition stranding; Preposition orphaning; Português do Brasil; Preposição; Pronome nulo.
Nesta dissertação, investigamos as supostas ocorrências de preposition stranding no Português do Brasil. Desde Jackendoff (1973), o fenômeno denominado preposition stranding, no qual uma preposição é separada de seu complemento via movimento, tem sido considerado bastante raro entre as línguas, sendo amplamente atestado apenas em algumas línguas germânicas, como o Inglês e o Dinamarquês. Apesar de algumas poucas exceções em variedades do Francês norteamericano (cf. Roberge & Rosen, 1999), o preposition stranding não é permitido no ramo das línguas românicas. No Português do Brasil, no entanto, algumas preposições – a saber, contra, sem, sobre e, com menos frequência, com – têm sido cada vez mais usadas sem um complemento manifesto e imediatamente adjacente, tanto em orações relativas, como O candidato que João votou contra, quanto em orações topicalizadas com um tópico interno à sentença ou recuperável no discurso, como Não vejo ninguém comentando sobre. Ao analisar esses tipos de construções, argumentamos contra a hipótese de que as preposições do Português brasileiro podem sofrer stranding. Com base em Salles (1997), Roberge & Rosen (1999), Kato (2010) e Roberge (2012), propomos que os supostos casos de preposition stranding no Português do Brasil se distinguem daqueles geralmente encontrados no inglês na medida em que não são derivados por meio de movimento-wh, mas envolvem um pronome nulo gerado na base (pro) e correferente a um operador. Defendemos, ainda, que o que está em curso no Português constitui, na verdade, o fenômeno de preposition orphaning e que características como conteúdo semântico e estágio de gramaticalização determinam quais preposições podem licenciar um complemento nulo.