Memória de trabalho e língua: algumas considerações e propostas.
memória de trabalho; processamento da linguagem; composição semântica; recursividade; leitura automonitorada
Este trabalho investiga a relação entre memória de trabalho (working memory — WM) e o processamento de estruturas linguísticas. Nossa hipótese é que os intérpretes (parsers) não conseguem processar estruturas que excedam um determinado limite de elementos ainda não semanticamente combinados na WM e que esse limite impõe restrições à organização das estruturas linguísticas. Para operacionalizar essa hipótese, propomos um método de análise (análise de precedência — AP) que representa a ordem das operações de composição semântica e identifica configurações potencialmente associadas à sobrecarga da WM. A hipótese será testada por meio de um experimento com estímulos linguísticos padronizados construídos a partir de operações de combinação de cores do sistema RGB. Os estímulos variam quanto ao número de substantivos e nível de recursão, distribuindo-se em oito condições experimentais. O estudo prevê a participação de 40 voluntários, que realizarão uma tarefa de leitura automonitorada unidirecional e não cumulativa, seguida de perguntas de compreensão com resposta única. A variável dependente principal será a acurácia das respostas, analisada por modelos de regressão logística de efeitos mistos. O objetivo é verificar se as previsões derivadas da AP correspondem a limites observáveis no processamento linguístico e, assim, contribuir para a compreensão da interface entre memória de trabalho e língua.