Avaliação de peptídeos antiamiloidogênicos para o tratamento da Doença de Alzheimer e seus efeitos na Barreira Hematoencefálica
Doença de Alzheimer, Peptídeo, Neurofarmacologia, Barreira hematoencefálica
A Doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência no mundo, e os tratamentos atualmente disponíveis atuam predominantemente sobre os sintomas, sem modificar os processos patológicos subjacentes. Nesse contexto, peptídeos bioinspirados em peçonhas de vespas surgem como uma alternativa terapêutica promissora, devido à sua elevada seletividade e baixa toxicidade. Este estudo tem como objetivo avaliar o potencial terapêutico de dois peptídeos antiamiloidogênicos, a Alzpeptidina e o GLP1-f, bem como investigar uma nova estratégia de entrega cerebral para a Octovespina, peptídeo previamente caracterizado pelo grupo de pesquisa. Foram realizados ensaios in vitro de agregação da proteína β-amiloide (βA) por tioflavina T, avaliação da citotoxicidade por MTT, do potencial hemolítico, da indução de estresse oxidativo, da capacidade de transposição da barreira hematoencefálica (BHE) em modelo de co-cultivo humano, além de testes de estabilidade e de toxicidade aguda em modelo murino. Os resultados mostraram que a Alzpeptidina (100 µM) e o GLP1-f (10 µM) apresentaram efeito antiagregante significativo sobre a βA, com perfis cinéticos distintos, sem indução de citotoxicidade, hemólise ou estresse oxidativo em nenhuma das concentrações testadas. O GLP1-f foi capaz de atravessar o modelo in vitro da BHE, enquanto a Alzpeptidina não foi detectada no compartimento receptor, sugerindo possível interação com a membrana do sistema utilizado. Ambos os peptídeos se mostraram estáveis sob refrigeração por até 30 dias, enquanto o GLP1-f degradou-se em temperatura ambiente. Os resultados preliminares de toxicidade aguda in vivo, avaliados até o momento para o GLP1-f, não indicaram alterações relevantes de massa corporal ou de massa relativa dos órgãos avaliados. Em conjunto, os achados reforçam o potencial terapêutico da Alzpeptidina e do GLP1-f para o tratamento da DA, ao passo que a investigação em andamento da Octovespina, associada à técnica de ultrassom focalizado transcraniano guiado por ressonância magnética, poderá contribuir para superar as limitações de biodisponibilidade cerebral observadas em sua administração sistêmica.