PAZ, PODER E POLÍTICA: OS LIMITES DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO PROCESSO DE PAZ COLOMBIANO (2012-2016)
ACORDO DE PAZ; COLÔMBIA; PARTICIPAÇÃO; PODER; POLÍTICO
Em 2016, a Colômbia celebrou um amplo Acordo de Paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP). À época, o modelo das negociações foi considerado exemplar por parte da comunidade internacional, especialmente em razão de seu caráter inclusivo, marcado pela existência de múltiplos mecanismos participativos, como (1) o envio de propostas à Mesa de Diálogos; (2) a organização de fóruns nacionais e regionais para discutir os cinco pontos do Acordo com distintos setores sociais; (3) a ida de delegações de vítimas, organizações e especialistas temáticos à Havana; (4) a realização, ao final do processo, de um plebiscito nacional para ratificar o texto. Diante desse cenário, esta dissertação tem como objetivo principal analisar como se deu a participação da sociedade ao longo das negociações, com ênfase nas relações de poder e condicionantes que moldaram esses espaços. A discussão teórica está fundamentada em uma crítica à paz liberal, o que se articulou a uma proposta analítica alternativa baseada na noção de paz agonística. Enquanto a primeira tende a despolitizar os processos de paz ao se conectar, muitas vezes, com a ideia de uma fórmula ideal pautada em elementos tecnocráticos, a segunda permite evidenciar aspectos políticos centrais da paz, como as disputas e tensões que atravessam sua construção. Para aprofundar a análise sobre a questão do poder, o Cubo do Poder de John Gaventa é mobilizado como ferramenta analítica central do estudo de caso. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa de estudo de caso. Os dados foram coletados por meio de fontes primárias e secundárias, incluindo livros, artigos acadêmicos, documentos oficiais e entrevistas semiestruturadas realizadas com membros da sociedade civil e do governo; por fim, a análise foi conduzida a partir de análise temática. Os resultados indicam que, apesar da existência de mecanismos formais de inclusão, a participação social foi marcada por limites estruturais que restringiram seu alcance e impacto. Nesse sentido, em um contexto internacional marcado pela persistência e reconfiguração dos conflitos armados, esta pesquisa contribui para o aprofundamento crítico dos estudos sobre paz ao explorar novas dimensões do debate. Ao deslocar o foco da incorporação formal da sociedade nas negociações para as condições que moldam sua participação, detalhando as relações de poder existentes nos processos de paz, o trabalho assume o compromisso com uma leitura da realidade que busca soluções sustentáveis a longo prazo.